A aposta era alta e muito arriscada, já que não se tratava apenas de substituir um dos melhores de todos, mas enfrentar misoginia, machismo e todo o tipo de preconceito. Uma mulher no lugar do mestre venerável Neil Peart?
O baterista morto em 2020 aos 67 anos certamente aprovaria Annika Nilles, alemã de 43nas que é uma das musicistas de jazz mais respeitadas da Europa. S´que até agora, um anos após o anúncio da volta da banda e da entrada da baterista, o vocalista e baixista Feddy Lee precia explicar em quase todas as entrevistas que Annika não foi escolhida por ser mulher, mas por ser um gigante do instrumento, como havia demonstrado quando trabalhou por algum tempo com Jeff Beck (1944-2023).
A turnê mundial do Rush que começou neste mês – e passará pelo Brasil rm janeiro de 2027 – teve percalços, mas nada que comprometesse as ap´resentações de uma banda monstruosa e experiente, que tem carisma e qualidade de sobra. O bervosismo da estreia afetou Annoka, é claro, mas aos poucos foi adquirindo segurança e deixa mito claro que é uma grande baterista.
Ainda é um rush menos descontraído e mais preocupado em entregar uma performance redonda em perfeita tecnicamente. Os improvisos são poucos e calculados para não prejudicar a fluidez do show. Faz parte do processo de recuperação do “ritmo de jogo” após dez anos sem tocar e sem um de seus pilares.
O Rush não precisava ter voltado, mas o fez e é prazeroso ouvir a sua excelência e ver seu agníficos shows. Se não é a usina de energia e de virtuosismo, como era Peart, Annika dá um “molho” diferente a canções mágica e eternas. Há menos peso e surpresas, mas a moça apresenta batidas e virada jazzísticas que dão um certo ar de novidade ao revigorado trio canadense.