Atrelar o rock ao ideário de direita e extrema-direita não faz sentido e afronta aos pilares que sempre sustentam os pilares do gênero. Parece óbvio para as pessoas que têm noção, mas foi preciso que uma estrela roqueira dizer isso em rede nacional na última segunda-feira (6).
Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, foi o entrevistado no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, e falou de forma simples e direta: contestação e subversão sempre estiveram na dianteira da rebeldia roqueira e não combina com o apoio os defensores de golpe de Estado e de pensamento e ideias que deploram a justiça social e o progressismo.
Parece óbvio, mas precisou um artista da primeira prateleira do rock para bradar isso em rede nacional para colocar coisa nos devidos lugares: a gênese do rock, especialmente a do rock nacional dos anos 80, está no espectro da esquerda, até pelo contexto político da época – fim da ditadura militar, repressão, censura, inexistência da liberdade de expressão e muito mais.
Sem restrição, disse claramente que se sentia decepcionado com artistas importantes – incluindo contemporâneos como Roger Moreira. Do Ultraje a Rigor, e Lobão.
“Fico perplexo quando eu percebo que artistas que lidam com arte defendem ideologias e premissas que pressupõem censura, depredação da liberdade de expressão e golpismo, com rompimentos institucionais. Defendem a depredação da democracia. Não
consigo entender”, diz o músico.
Na avaliação de seus 44 anos de carreira, o guitarrista e escritor ainda se espanta com a necessidade de explicar o ambiente em que foi composto e lançado “Cabeça Dinossauro”, de 1986, considerado o melhor disco da história do rock nacional. A banda faz hoje turnê relembrando os 40 anos da chegada do trabalho ao mercado.
“Esse álbum surgiu em um contexto complicado, de resquício da ditadura militar e ambiente policial repressivo – a política violenta de repressão às drogas claramente não certo. É uma obra agressiva, rebelde, contestatória e mita gente ainda não entende o que o disco até hoje significa. Ou o que significou desde aquela época. É um desafio”, constata Bellotto.