A excelência inovadora do King Crimson em mais um ótimo álbum ao vivo

Por mais que todo mundo soubesse, ou deveria saber do que se tratava, ninguém entendeu nada quando a banda com três baterias ao palco Sunset do Rock in Rio de 2019. Era o último show do festival, no domingo, para pouco mais de 10 mil pessoas; Poucos realmente entenderam.]

Foi uma das últimas apresentações do King Crimson, que encerraria as atividades pela terceira vez no ano seguinte. Única apresentação no Brasil, tocou praticamente um repertório inédito em álbuns, registrado somente em gravações ao vivo em lugares tão diferentes quanto Nova York (Estados Unidos), Toronto (Canadá), Viena (Áustria) e Cidade do México).

Era mais uma inovação de um grupo musical marcado pelo experimentalismo e pela vanguarda do rock e do jazz, com os dois pés também na música erudita. Novas composições e registrá-las apenas ao vivo? Fazer o fã caçar as novas canções em lançamentos esparsos e aleatórios?

Essa é a menor das preocupações do conjunto. A julgar pelo fato de a banda anos atrás ter colocado no mercado os CDs dos shows de Toronto e Viena sem aviso prévio. Desta vez, pelo menos, o King Crimson anunciou com antecedência que vai lançar novo disco ao vivo com alguma antecedência.

“2014 NYC”, novo álbum ao vivo, está na plataformas digitais e lojas via DGM/Panegyric. O material está disponível em edição dupla em CD e também em vinil duplo de 200 gramas.

O lançamento inaugura uma nova série de arquivos ao vivo focada nas diferentes formações que passaram pela banda entre 2014 e 2020.

O registro em questão foi captado durante a residência de quatro noites realizada em Nova York entre os dias 18 e 21 de setembro de 2014, marcando a primeira turnê do grupo após um hiato de seis anos.

Aquela fase chamou atenção por apresentar a formação com três bateristas, conceito que se tornou uma das marcas do retorno do King Crimson aos palcos.

O grupo tinha e tornado um septeto reunia Robert Fripp (guitarra), Mel Collins (saxofone), Tony Levin (baixo), Jakko Jakszyk (guitarra e vocais) e os bateristas Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Bill Rieflin – mais tarde substituído por Jeremy Spencer. Rieflin morreu de câncer em 2020.



As gravações de “2014 NYC” foram feitas a partir de registros multitrack das apresentações no “Best Buy Theater”, em Nova York. A masterização do vinil ficou a cargo de Jason Mitchell, do Loud Mastering, enquanto o pacote também contará com textos inéditos assinados por Sid Smith, biógrafo oficial do King Crimson e colaborador da revista Prog.

Para alegria dos saudosistas e apaixonados por rock clássico, não haverá praticamente nenhuma música composta a partir d 2012, e o repertório passará por quase todas as fases da banda, com destaque para “21st Century Schizoid Man”, do primeiro álbum,” Red”, “Starless” e as duas partes de “Larks’ Tongues in Aspic”. O material também inclui improvisações e faixas ligadas à fase mais moderna do grupo, como “Level Five”, “VROOOM” e “The ConstruKction of Light”.

Pen que não tem nada de “Power to Believe”, o último trabalho a contar com participações de Bill Bruford (bateria) e Adrian Belew (guitarra e vocais).

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