Na busca pela música pop perfeita da atualidade, somente a banda britânica Muse consegue chegar perto dos italianos do Maneskin, agora às voltas com indefinições por conta da carreira solo do vocalista Daminano David.
O trio inglês persegue por nota aquela sonoridade dançante e acessível com toques progressivos que lhe deu fama no começo do século e atinge o objetivo com o novo álbum, “The World Sigmsl”.Com arrajos bem costurados e riffs inventivos de guitarra, Muse segue na perseguição do que Fleetwood Mac, Eurythmics e Tears For Fears conseguiram – o pop perfeito.
Vítima das armadilhas que a internet perpetrou no mercado fonográfico deste século, Mus esteve próximo de chegar ao mesmo patamar de U2, Foo Fighters, Coldplay e Radiohead.
A mistura de rock progressivo com um pop classudo dava a entender que a banda poderia ser o futuro do rock, em algum momento. Aparentemente, a ambição do Muse parecia ser demais diante das circunstâncias.
A postura tecnológica, com instrumentos futuristas. Como é possível ver no vídeo gravado em Roma há mais de 20 anos. O tio realmente acreditava que era a novidade a ser reverenciada pelos críticos musicais.
A realidade se mostra mais serena e suave, fatores que foram importantes para que “The World Signal” se tornou o melhor trabalhpo dp grupo. A ambição já não era o pop perfeito, mas a melhor música possível com o DNA da banda.
E tem a parte científica — concentre-se: todos os fãs de espaço sabem muito bem que o “Sinal Wow!” foi, naturalmente, um sinal de rádio de banda estreita detectado pelo radiotelescópio Big Ear, da Universidade Estadual de Ohio, em agosto de 1977.
Sua intensidade era tão grande e sua frequência tão misteriosa que foi atribuído àqueles malditos alienígenas. O astrônomo Jerry R. Ehman, perplexo, simplesmente rabiscou “Wow!” no relatório inicial.
Desde “Origin of Symmetry” — sua obra-prima de ficção científica gótica lançada em 2001 —, o Muse tem se dedicado principalmente a questões sobre a vida lá no alto e sobre quem realmente puxa as cordas aqui embaixo. Para o vocalista Matt Bellamy, sua obsessão pelas estrelas, por teorias da conspiração e pelo desconhecido parece vir de uma necessidade incessante de respostas .para saciar a sede por algo que falta.
Composto logo após a separação da modelo e atriz Elle Evans — mãe de dois de seus filhos —, o álbum mostra Bellamy diante de um desconhecido profundo, algo que ele não sentia há décadas; ele buscou inspiração nos sentimentos e — consciente ou inconscientemente — na sonoridade dos primeiros tempos da banda.
A faixa de abertura, “The Dark Forest”, soa como uma sequência cinematográfica de grande orçamento para “Knights of Cydonia” (o rock com ares de faroeste espacial à la Ennio Morricone presente no álbum “Black Holes & Revelations”).
A banda galopa ao som de cordas arrebatadoras enquanto Bellamy expressa com sinceridade a missão do álbum: “lançar um pulso rumo ao abismo, estender a mão aos solitários”.
O riff de “Cryogen” quase dá a impressão de que os dedos de Bellamy estão prestes a tocar “Plug In Baby” antes de vagarem pelo braço da guitarra; a música traz um refrão grandioso, digno da era “Absolution”, e uma seção mais pesada (breakdown) com toques de metal, característica de fases mais recentes da banda.
Enquanto isso, “Hexagons” merece ser colocada ao lado de “Citizen Erased” e “Butterflies And Hurricanes” como uma das melhores epopeias modernas de rock existencial do Muse; nela, o vocalista busca cura e conexão, “assombrado por futuros que não posso evitar”.
Há também “Hush”, que tem tudo para ser o ponto alto do álbum. Quando os fãs souberam que a música contaria com a participação vocal de Ellie Goulding e a coautoria de Theo Hutchcraft (do Hurts), talvez tenham imaginado uma balada pop com toques de EDM, em vez desta faixa explosiva.