‘2112’, a decolagem do Rush, completa 50 anos

Ilustração baseada em encarte do álbum '2112'm, do Rus (IMAGEM: REPRODUÇÃO)

Três álbuns em dois anos, um novo baterista que também era um letrista de mão cheia, além da renovação de contrato com a gravadora. Tudo parecia ir muito bem para o trio canadense Rush, mas era só aparência.

Seis anos após o seu surgimento, o grupo ainda buscava uma sonoridade própria para finalmente ganhar o mercado norte-americano.

O que viria em seguida? Um trabalho diferente e inovador que teria o potencial de impactar p mercado e mudar de forma drástica, para melhor, a história do trio canadense Rush.

Era 1975 e os álbuns “Fly By Night ” e “Caress of Steel” colocaram a banda em um novo patamar, mas ainda insuficiente para livrá-los da pecha de imitação de Led Zeppelin e figurarem no segundo escalão do hard rock setentista.

Geddy Lee, o vocalista e baixista, sabia do potencial do trio, mas via Kiss e Aerosmith decolarem, assim como o Queen, que se tornava cada vez maior. Como dar um salto ainda maior para mudar novamente de patamar? O Neil Peart, o baterista letrista com pinta de intelectual hippie, veio com a solução.

“2112” não tinha o estofo para ser uma ópera-rock do porte de “Tommy”, do Who, ou de “Arthur”, dos Kinks, mas tinha uma boa história e belos arranjos, além de um trabalho colaborativo do trio que superou as inseguranças e os traumas da falta de sucesso.

A música, dividida em sete partes, e que também deu o título ao álbum, jogou as luzes sobre o Rush e o catapultou a um período extremamente prolífico, finalmente transformando o trio de grupo promissor a uma realidade dentro dos principais nomes do rock pesado da segunda metade dos anos 70.

O álbum foi lançado em 1976 e inaugurou uma fase em que o Rush abandona o hard rock e envereda pelo rock progressivo sem medo de mudar. A aposta era arriscadíssima – uma ópera-rock espacial e futurista, com história mirabolante e som pesado, mas cada vez mais progressivo. Mudança radical e ousada, mas necessária.

Buscando uma abordagem diferente das bandas inglesas do estilo, o Rush manteve o seu som calcado nas guitarras poderosas de Alex Lifeson e nas complexas harmonias criadas por Lee e Peart.

Não é exagero que o Rush lançou as bases, com “2112”, para o que viria ser o metal progressivo, abraçado por bandas como Dream Theater, Queensryche, Fates Warning e algumas outras.

Lee comentou m um depoimento a um documentário sobre a banda que esse álbum possivelmente pode sr considerado o mais importante do Rush pelas mudanças que provocou e pelo impacto que causou nos Estados Unidos quando de seu lançamento.

Sofisticado e complexo, “2112” exigiu adaptações musicais de performance de seus integrantes e provocou a admiração de músicos que antes ignoravam o Rush.

Em 2016, uma versão de luxo, ampliada, foi lançada para celebrar os 40 anos do lançamento da obra. No segundo disco, versões remasterizadas de músicas do álbum, além de “Tears” gravada pelo Alice in Chains em 2016, assim como duas gravações ao vivo feitas nos Estados Unidos em 1976.

No DVD, além dos documentários, há trechos raros de um show em Oakland, na Califórnia, em 1976. Os mais de 20 minutos de “2112”, a música, são raros momentos de plenitude sonora e qualidade altíssima de composição e elaboração de arranjos.

Até hoje impressiona pela dinâmica de suas estruturas harmônicas e pela maneira perfeita do encadeamento de suas suítes, com amplo domínio das técnicas dramáticas dos musicais da Broadway.

Parte expressiva dos fãs afirma que “2112” é o auge criativo e de performance do trio. É um evidente exagero, mas é inegável que foi o ponto de partida para a decolagem do trio como um dos grandes nomes do rock de todos os tempos.

Conceito

No ano 2112, uma guerra de dimensões galácticas resultam em uma união de todos os planetas sob o governo da Red Star of the Solar Federation. Em 2112, o mundo é controlado pelos “Priests of the Temples of Syrinx” (“Sacerdotes dos Templos de Syrinx”, em tradução livre), que controlam cada faceta da vida.

Um homem descobre um violão antigo e aprende a tocar sua própria música. Pensando que fez uma descoberta maravilhosa que será uma bênção para a humanidade, ele vai apresentar o violão aos sacerdotes dos Templos, que raivosamente o destroem e repreendem o homem por desenterrar um dos “caprichos tolos” que causou o colapso da civilização anterior.

Ele, então, se esconde e sonha com um mundo antes da Solar Federation. Quando acorda, fica perturbado e comete suicídio. Enquanto ele morre, outra batalha interplanetária começa, resultando no final ambíguo “Attention all planets of the Solar Federation: We have assumed control.” (“Atenção todos os planetas da Solar Federation: nós assumimos o comando”, em tradução livre).

Esta seção falada foi criada por Geddy Lee e  Alex Lifeson alegadamente “mexendo em um gravador de fita”. No episódio “2112/Moving Pictures” da série de televisão Classic Albums, Peart confirmou que ele pretendia que o final fosse feliz, com as pessoas da Solar Federation sendo libertadas.

Peart credita “o gênio de Ayn Rand” nas notas do encarte. Rand, uma romancista Judaico-Americana, nascida russa e inventora da filosofia do Objetivismo, escreveu uma novela intitulada Anthem, cuja história carrega diversas semelhanças com 2112; Peart adicionou o crédito para evitar qualquer ação legal de Rand.

Este crédito causou publicidade negativa significante à banda, com alguns até os categorizando como de Extrema-direita. O periódico musical inglês NME fez até alu

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