Ninguém entendeu muito bem quando o guitarrista George Harrison apareceu no estúdio com aquele instrumento esquisito que emitia um som ainda mais esquisito. Todos sabiam do crescente interesse dele pela cultura indiana, mas estranharam a cítara nas mãos dele. Ele sabia tocar aquilo?
Sabia, tanto que usou na música “Norweggian Wood”, do [álbum qu estavam gravando em 1065, “Rubber Soul”. A cítara de Harrison era um dos símbolos das mudanças que aquele disco indicaria para a carreira da banda, para o mundo do rock e para o futuro da música ocidental.
“Rubber Soul” não é o melhor disco dos Beatles, apesar de ser excelente, mas pode ser considerado o mais importante porque é o ponto de virada da carreira do quarteto, que assume de vez a vanguarda musical e mergulha fundo nas experiências sonoras de estúdio que desembocariam nas obras-primas que surgitiam no fundo bem próximo.
O álbum vai ganhar em breve uma edição ampliada para comemorar os seus 60 anos de chegada ao mercado. Está prevista para ser disponibilizada em 2 de outubro pela Apple Corps e UMG, e apresenta uma série de materiais inéditos e novas mixagens dos clássicos que compõem o disco.
A nova mix em estéreo e versões em Dolby Atmos é assinada pelo produtor Giles Martin (filho de George Martin, o produtor da maioria dos álbuns dos Beatles) e pelo engenheiro Sam Okell.
A reedição apresentará também a mixagem mono original e da versão norte-americana originalmente lançada pela Capitol Records. O material inclui 24 gravações das sessões iniciais, incluindo 20 takes inéditos e três demos caseiras inéditas.
Entre os destaques estão versões mais cruas de “Day Tripper” e “We Can Work It Out”, eu só sairiam em compactos/singles no ano seguinte, além de “Little Girl”, um esboço de composição de John Lennon nunca antes divulgado.
Outra inclusão interessante é a versão original do álbum lançada pela Capitol Records norte-americana e o single de 1965 com dois lados A.
As edições Deluxe em 2 CDs e 2 LPs apresentam uma seleção especialmente curada com os principais destaques das sessões de gravação, das demos e do single.
AO versão Super Deluxe em 4 CDs e 5 LPs, que vêm acompanhadas de um livro de capa dura com 88 páginas contendo uma introdução escrita especialmente por Paul McCartney e um prefácio compilado a partir de declarações do próprio John Lennon reunindo reflexões sobre Rubber Soul ao longo de sua vida, incluindo o período após o fim dos Beatles.
O álbum apresentou ao público clássicos como “Drive My Car”, “Norwegian Wood”, “Nowhere Man”, “Michelle” e “In My Life”. Essas canções representam uma mudança profunda em relação às canções superficiais da beatlemania, abordando temas mais pesados, densos e profundos, com abuso de figuras de linguagem como metáforas e analogias.
Clsro que ainda havia coisas mais sentimentais, como “You Won’t See Me”, que fazia contraposição à bela “If I Needed Someone”, de George Harrison, canção com letra intimista e e reflexiva.
“Rubber Soul” é a gênese do que os Beatles se tornariam até o seu final, em 1970, e é o princípio de “Revolver”, o álbum de 1966 que consolida a fase de evolução e que é considerado um dos melhores de todos os tempos.