No episódio de maior insensibilidade de todos os tipos envolvendo personalidade importantes, dois astros consagrados de rock decidem investir contra as medidas de isolamento e distanciamento social tomadas por governos do mundo para conter a expansão da pandemia de covid-19.
O inglês Eric Clapton, um monstro da guitarra, e o norte-irlandês Van Morrison, oito gigante do pop, se uniram para gravar três canções protestando contra as medidas e reclamando da “obrigatoriedade” de vacinação contra o vírus – medida que evitou milhões de mortes.
Os dois negacionistas questionavam as notícias sobre a quantidade absurda de mortes provocada pela pandemia, bradavam contra a “ditadura do lockdown (fechamento total da sociedade para evitar a proliferação do vírus) e espalharam mentiras na tentativa de desacreditar as autoridades sanitárias.
Também diziam estar contra as medida de isolamento para “preservar empregos e a economia”, além de serem notórias vozes contra a obrigatoriedade da vacinação. Perderam credibilidade e foram abandonados por amigos e empresários.
Com sequelas devastadoras, o mundo ultrapassou uma de suas piores eras ao custo de 5 milhões de mortos – 700 mil deles no Brasil – e tenta seguir em frente na prevenção de novos surtos.
O governo brasileiro iniciou mais uma campanha nacional de multivacinação, principalmente contra a gripe e o sarampo, no mês de julho por conta dos alarmantes índices baixos de imunização registrados, mas o sucesso tem sido apenas relativo – nova onda criminosa de mensagens contra as vacinas está voando por aí.
Para a surpresa de ninguém, e não pode ser coincidência apenas com a campanha de multivacinação, um notório negacioista volta à cena para bradar, com orgulho, que sempre foi contra o lockdown – “muita gente perdeu emprego” – e contra todo tipo de obrigatoriedade – de vacinação ao isolamento social.
Marcelo Nova, o septuagenário vocalista da banda Camisa de Vênus, vomitou um monte de absurdos em longa entrevista ao canal de YouTube “Papo Com Clê”.
Com suas distorcida noções de “liberdade de expressão e comportamento”, destilou críticas a governantes que investiram, ainda que tardiamente, na compra de vacinas durante a pandemia, reclamou da suposta “perda de empregos” com as medidas de isolamento social.
Investiu ainda contra “decisões autoritárias e ditatoriais de se se ficar trancado em casa, tudo com “motivação eleitoral”. Sobrou até para a Rede Globo, que apoiou as medidas de combate à pandemia..
Em um momento em que os índices de imunização estão abaixo das médias históricas muito por conta das fake news espalhadas pelos criminosos da extrema-direita, escutar os lixos vomitados por Nova é motivo de indignação e protesto.
Mais do que irresponsabilidade, a postura do artista do artista é um atentado à saúde pública, por mais que ele não tenha sido contundentemente direto contra as vacinas.
Só que o cantor fez defesa apaixonada dois livros e declarações do inominável e nefasto Robert Kennedy Jr, o maior nome antivacina dos Estados Unidos e, por isso, a maior autoridade do governo do nefasto presidente Donald Trump.
Com carta branca presidencial, Kennedy está destruindo o sistema de saúde americano e toda a estrutura de vacinação do país.
A postura antivacina segue com crítica a Anthony Fauci, o médico que coordernou a luta contra a pandemia nos Estados Unidos – e ardoroso defensor da vacinação – e ao ex-governador paulista João Doria, que comprou milhões de doses de vacina do tipo Corovavac – que Nova chama de “porcaria”.
Na ânsia de ser “polêmico” e chamar a atenção, Marcelo Nova mergulhou na irresponsabilidade mesmo querendo dar uma aura de erudição e “intelectualidade” aos seus parcos e falsos argumentos.
Ao novamente pisotear a própria credibilidade, torna-se cada vez mais irrelevante em um momento crítico para a indústria da música.
Ao abraçar ideias e ideologias que remetem a todo tipo de retrocesso – principalmente aquelas que são associadas à extrema direita de inspiração fascista -, Marcelo Nova e se Camisa de Vênus e afundam cada vez mais no esquecimento, em processo de erosão e decadência semelhante ao do Ultraje a Rigor pelos mesmos motivos