O rock voltou a ser legal e ‘bacaninha”, mas está morto há quase 20 anos por ter se tornado insustentável. Será possível conciliar as duas visões em um momento em que o rock e a indústria parecem incapazes de encontrar um modelo de negócios viável que assegure o sustento dos aristas?0=
Temos debatetido aqui no Combate Rock como o rock se encaminha para se tornar o novo blues, uma música de nicho e segmentada, com predominância de ouvintes com mais de 30 anos de idade nos streamings e nas plateias de shows de todos os tipos.
Para muita gente, o rock virou coisa de velho, com imensas turnês que ainda restam de nomes das décadas de 70 e 80 lotando mundo afora. Os mais importantes que visitarão o Brasil neste semestre são Roger Daltrey (The Who, 82 anos), Ron Wood (Rolling Stones, 79 anos) e a banda texana ZZ Top (ciada em 1969).
A jornalista Carol Prado, em sua coluna no Estadão.com e em seu canal no YouTube, defebde que o rock, depois de muito tempo em baixa, voltou a ser “cool”, ou seja, voltou a ser ouvido por um por um público veterano e também muito jovem graças a “redescobertas”.
Seriados d TV, filmes longa-metragens, peças publicitárias e documentários resgataram músicas antigas e atraíram a atenção de um público curioso em conhecer aquele som antigo de Rolling Stones, Beatles, Queen, Fleetwood Mac e muitos outros.
A morte de Ozzy Osborne, no ano passado desencadeou uma busca frenética por sua carreira solo e também pelo catálogo do Black Sabbath, na qual cantou por anos. A edição ampliada de álbuns históricos em caixas com vários CDs também explica esse movimento em busca do passado.
Em sua análise, esse retorno parcial do rock não passa de uma coisa temporária or falta de estofo. “O rock está com a algum destaque desde 2020, mas infelizmente não vejo estfo para isso continuar. É um bibelô nostálgico que confere alguma credibilidade para situações específicas, mas está lastreado no passado. Por mais que existam bandas boas na atualidade, ainda não vejo consistência para uma retomada forte.”
Por outro lado, o “rock está morto” e parece não ter futuro, na visão do músico e youtuber americano Rick Beato, um competente analista da área cultural, Com bons argumentos, ele constata uma mudança radical no mercado que praticamente inviabiliza o surgimento de novas cenas.
“Rock virou coisa d rico”, decreta ele em um de seus vídeos. “Hoje é impossível viver de música se você for da classe trabalhadora ou mesmo de classe média. Os custos são muito grandes e a remuneração não é suficiente, não compensa. Isso vem desde 2008, com a a crise financeira mundial dos prelos artificiais dos imóveis. A indústria fonográfica acabou de sr sepultada ali, matando o rock e setores dessa indústria.”
Só uma estrutura muito grande e cara consegue manter músicos em evidentes, como a americana Taylor Swift, da música country, qye teve um suporte financeiro robusto, um financista milionário que bancou suas primeiras turnês e praticamente lhe deu uma gravadora. Talentosa e competente, a garota , multiplicou a fortuna.
Parece não ser o caso de gêneros como o atual rhythm and blues, o rap e a música country, mas certamente é o do rock nos Estados Unidos e no Brasil. São pouca as bandas de rock autossustentáveis, por mais fervilhante que o undrground brasileiro seja na atualidade.
Boogarins e Autoramas, bandas independentes, vivem com o que faturam com a música e desfrutam do ótimo trabalho e do prestígio que obtiveram no underground. Mas são exceções, como alguns outros casos pontuais.
Quem chegou nesse patamar foi o Black Pantera, banda mineira de thrash metal-haardcore que é a mais importante do rock nacional da atualidade. Só que são dez anos de um trabalho intenso e sem descanso, com lançamentos constantes e uma agenda insana de shows, que uma hora vai cobrar o preço dos músicos que estão na faixa dos 40 anos.
São tempos difíceis, em que os parâmetros mudaram de taç forma que um esforço descomunal e imenso talento não garantem a mínima remuneração para que o músico se sustente e uma estrutura parca para que possa trabalhar.
Foi o que detectou o músico e produtor paulista Amleto Barboni em recente entrevista ao programa Combate Rock de web rádio. Para ele, o maior desafio do músico na atualidade é sobreviver de sua arte. “Com as mudanças ocorridas neste século, ficou muito mais difícil o artista, e o músico em particular, viver de sua arte. O produto perdeu valor e a remuneração despencou, mas os custos gerais não. Os obstáculos cresceram e setores da sociedade se posicionam contra a cultura em muitos aspectos.”
Quem ilustra ssas dificuldades pe o violeiro Ricardo Vignini, do duo Moda de Rock e da banda Maturo Moderno. “Quanto mais eu trabalho, mais eu ganho. Quanto mais música novas e álbuns autorais eu produzo e gravo, mas eu ganho. E será assim por muito tempo, sem descanso. É o que o mercado está pedindo.”