Lei Maria da Penha: ‘Camila Camila’, do Nenhum de Nós, continua muito atual

O grito sufocado, o tapa sem barulho, a esganadura silenciosa, a vizinhança calada e indiferente. É uma realidade milenar, mas que sempre colocou a mulher latino-americana em uma posição tão ruim ou pior quanto aquelas que vivem sob leis religiosas em ditaduras islâmicas fundamentalistas.

Q uando a lei 11.349/2006 foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inacio Lula da Silva 20 anos atrás, alguém gritou “Camila” na cerimônia que celebrou o feito; mais tarde, o nome apareceu grafitado em muros de Brasília e São Paulo.

Era uma referência ao principal sucesso da banda gaúcha Nenhum de Nós, “Camila, Camila”, improvável hit que denunciava um estupro de uma adolescente. Não são muitos os que sabem o significado da letra ou conseguem interpretar o que aconteceu, mas a música se tornou um hino de luta contra a violência doméstica e contra a mulher em geral.

Os 20 anos da Lei Maria da Penha – levou o nome da cearense várias vezes atacada pelo ex-marido, que a deixou paraplégica – tem de ser celebrada, por mais que a situação ainda seja muito ruim e há aumento de casos de violência doméstica e feminicídios no ano passado. Ser mulher no Brasil continua muito perigoso em 2026.

“Camila Camila” é uma canção fundamental e necessária no ambiente da música brasileira, mas também é degradante por sinaliza que o Brasil é um país medieval, machista e misógino, que convive com mais de 55 mil assassinatos e crimes violentos por ano.

Fala-se muito na questão da educalçao de nossas crianças em relação a noções de civilidade, cidadania e respeito ao próximo. Discurso muito bonito para camanhas institucionais inúteis, mas que não servem a atual realidade.

O brasileiro é um povo ruim, violento, preconceituoso, racista, cruel, maldoso e ressentido, que odeia o seu passado e que despreza os pobres. Despreza as minorias e o conhecimento, enquanto valoriza a ignorância e não se importa muito com a corrupção.

Em um ambiente degradado como esse, não espanta que o racismo seja latente e que a mulheres sejam as principais vítimas d um quadro de violência endêmica e persistente.

Dados do Ministério da Justiça revela qu foram 1.571 mortes (alta de cerca de 4% a 4,7% frente a 2024), mantendo o parceiro ou ex-companheiro como autor em mais de 80% dos casos. O feminicídio é uma chaga brasileira em pleno século XXI.

É uma questão muito mais civilizatória do que de educação, Claro  que as crianças não nascem racistas e misóginas e que essas construções ocorrem em casa, na infância e na adolescência.

Entretanto, a situação requer medidas mais urgentes e rigorosas, que infelizmente passa pelo endurecimento de penas para os criminosos. Pelo jeito, “Camila Camila” continua simbolizado um mal persistente que está colado na índole do brasileiro, e não apenas um retrato de uma sociedade antiga e medieval que foi superada.

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