Metralhadora contra o ‘sistema’: Biohazard, Black Pantera, Asfixia Social, Sujeira, Rage Against the Machine

Brigar contra o “sistema”, combater o “sistema”, derrubar o “sistema”, derrubar o “sistema”. A motivação dos rebeldes e dos marginai, principalmente os de esquerda, sempre esteve acima de ideologias e formas de governo. Acabar com o “sistema” sempre foi um poderoso combustível para o ativismo político que se julga oprimido e reprimido.

Utopia irrealizável de inspiração infantil no século XXI? Explique isso para os sessentões integrantes da banda americana de metal-hardcore Biohazar, que caminha para os 40 anos de existência ainda mais revoltada, rebelde e furiosa.

“Divided We Fall” é o mais recente trabalho de estúdio e é puxado pelo violento e engajado single “Fuck the Systen”, uma canção que não precisa de maiores detalhes. A música é uma porrada e chama para a revolução sem meio termo.

É uma banda pesadíssima e do contra, que faz oposição não necessariamente ao nefasto governo do nefasto presidente americano Donald Trump, mas a incita a oposição a qualquer tipo de opressão. Obviamente, é uma banda d rock que se opõe ao governo Trump.

Infelizmente, é uma banda engajada na virulência contra o sistema desde que definitivamente o Rage Against the Machine, a banda inimiga de todos os conservadores, parou. Esse quarto americano faz muita falta e foi tão agressivo e violento quanto o Biohazard.

O guitarrista da banda, Tom Morello, ainda mantém a chama em seus shows solo, recheados de ativismo político, com críticas ao governo dos Estados Unidos – seja quem for o presidente – e apoio ao acossado governo de Cuba, cercado política e e conomicamente.

Morello e o guitarrista Bruce Springsteen, seu amigo, hoje são os principais alvos do autocrático governo Trump e fazem discursos corrosivos e pesados contra o atual presidente. Springsteen, no começo deste ano, compôs em horas uma música ótima em protesto contra a atuação do ICE, a polícia de imigração, após os assassinatos de cidadãos americanos e imigrantes no norte do país. “Streets of Minneapolis” foi um sucesso.

No Brasil, fica cada vez mais óbvio citar o trio mineiro Black Pantera, a melhor banda d rock do Brasil na atualidade. Formada por três negros de Uberlândia, é a mais engajada e politizada no país, atraindo a ira de conservadores de viés fascista.

Frequentemente acusados de estimular a violência por causa da música “Fogo nos Racistas”, seguem inabaláveis, até porque o grupo tem canções ainda mais pesadas e violentas contra o “sistema”, com letras que costumam acuar e constranger os extremistas que adoram ser racistas, misóginos e preconceituosos.

“Horus”, a mais recente canção autoral lançada, é uma aula de racismo estrutural em pouco mais de quatro minutos de heavy metal  extremo em que o o guitarrista Charlçes da Gama narra as agruras de ser negro em uma cidade grande brasileira.

Todos os olhos em mim
Todos os holofotes
Bença, pai, bença, mãe
A reza tem que ser forte
Todos os olhos em mim

Não vou ao shopping de chinelo
Não corro na rua sem camisa
Em todo recinto que eu entro
O segurança, mesmo negro, me vigia
Todos os passos, todos os atos
O peso dos meus erros é multiplicado
Dia após dia
Sonhando com a minha queda
Zica, sai pra lá
Quem me guarda nunca erra

A letra é poderosa e contundente, descreve o racismo nu e direto que ainda a assombra a sociedade brasileira. É tão forte quanto o hino “Fogo nos Racistas” e a violenta “Rá Tá Tá”, que aborda as chacinas que vitimam jovens pobres e negros nas periferias, É o mesmo tema da pesada “Start the Game”

Quem não alivia também são os paulistas do Asfixia Social, Surgida em Diadema (Grande São Paulo) há 19 anos, a formação punk hardcore acaba de publicar nas plataformas digitais o mais novo audiovisual gravado na Alemanha. E pauleira pura, com muita pancadaria temperada com com reggae, ska e funk de verdade, além do punk acelerado e engajado.

O discurso social é muito forte e pega pesado com as mazelas que perpetuam a pobreza a desigualdade neste país infeliz. A potência das palavras da banda é tão forte quanto a do Black Pantera, assim como o som violento e destruidor que, dependendo da música, é mais conhecido no exterior do que no Brasil. É um conjunto t]ao fundamental e necessário quanto o Black Pantera.

Na mesma trilha segue o conjunto Sujeira, nitidamente inspirado na banda americano-mexicana Brujeria. A destruição é pavorosa na mistura de thrash-death metal com rap, É como se Deftones e Lamb of God fossem misturados com Body Count, só que com uma violência extrema.

A brutalidade vem acompanhada de um discurso virulento antissistema que orgulharia o pessoal do Biohazard. A metralhadora gira e ninguém é poupado. O quinteto tem dois vocalistas e tem origem na zona leste de São Paulo. A linguagem é direta, da periferia, e estremece todos os ambientes em que toca. Além de Brijeria, tem forte influência do Rage Against the machine nos vocais. Com seis anos de trajetória, vai fazer muito barulho no rock nacional – e deve, porque tem engajamento politico e um discurso bastante afiado.

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