Turnê comemorativa? O Deep Puirple dispensa essa modalidade e cai na estrada para mostrar ao menos algumas músicas novas, como farpa no Brasil, mais uma vez, ao final do ano. “Nãp pensamos em parar. No ano que vem faremos 50 anos de banda. E daí? Vamos tocar, como sempre fizemnos”, disse Ian Gillan. O vocalista, em recente entrevista para o site Blabbermouth.
A banda lançou recentemente o álbum “Splat!”, que está recebendo muitos elogia, e não descarta novo disco de inéditas para o ano que vem. “Splast” é melhor do que o anterior, “=1”, que já era bom, e mostra um vigor criativo qu o Deep Purple há anos não apresenta. Essa é lima grande notícia para o rock clássico.
A formação clássica “Mark II” está presente com o baixista Roger Glover, o cantor e compositor Ian Gillan e o baterista Ian Paice, todos com 80 anos (ou estejam perto disso), assim como o tecladista Don Airey. O guitarrista é relativamente novo, Simon McBride, que entrou em 2022, tem apenas 47.
As canções mostram um grupo empolgado e descontraído, tocando com prazer. Basta ouvir os fraseados pulsantes da faixa de abertura, “Arrogant Boy”, para constatar que não falta vitalidade ou energia nessas performances de músicos que poderiam simplesmente estar descansando e vivendo de direitos autorais.
É o 24º álbum da banda, mas soa como se pudesse ser o quarto. O produtor Bob Ezrin, que retornou ao projeto, ajudou a moldar estas 13 faixas, mantendo-as coesas, frescas e mais vibrantes do que se esperaria de artistas com essa idade avançada.
Em vez de viver de glórias passadas, o Deep Purple criou um álbum complexo, pesado e sonoramente reconhecível de imediato que, assim como trabalhos de contemporâneos como Alice Cooper (outro cliente de Ezrin), respeita e faz referência à sua sonoridade clássica sem jamais imitá-la de forma servil.
Mais interessante ainda é que essas músicas são construídas em torno de um tema, embora seja um conceito difícil de decifrar. O encarte esclarece que o vocalista Ian Gillan concebeu um conceito sobre o fim da humanidade — “não em um sentido apocalíptico grosseiro, mas como uma metamorfose além da existência física”.
Tendo isso em mente, essas canções repletas de letras — por vezes prolixas e até divagantes — estão a anos-luz de distância da simplicidade de descrever um carro potente como “Highway Star” ou de estar com preguiça (“Lazy”) demais para sair da cama; apenas para citar alguns exemplos anteriores e de assimilação mais imediata.
Quem se sentir intrigado o suficiente pode tentar acompanhar essa saga lendo as letras. Mas as músicas são tão musicalmente vigorosas, pulsantes e bem elaboradas — e executadas com tamanho talento e precisão — que a história intrincada (e, para alguns, desconcertante) acaba ficando em segundo plano.
Na pulsante “The Lunatic”, a banda entra no que só pode ser descrito como um *groove* típico do Deep Purple: denso, tenso e vibrante, soando tão faminta quanto antes de o álbum *Machine Head* (1971) transformá-los em atrações principais em todo o mundo.
A voz de Gillan não perdeu nada de sua ameaça maliciosa — algo que não se pode dizer de muitos cantores de sua idade. A bateria potente de Paice prepara o terreno para o solo de guitarra estridente de McBride, que desemboca no órgão retumbante do tecladista Don Airey na pulsante “Third Call” — quatro minutos tão intensos quanto qualquer coisa que a banda já tenha produzido.
A introdução de piano em “Guilt Trippin’” parece anunciar momentos mais calmos, mas o estilo logo muda para uma abordagem do rock progressivo que remete ao Jethro Tull.
Pouco importa se você consegue compreender totalmente a premissa de ficção científica de Gillan, pois a intensidade e a qualidade da música em “Splat!” justificam o uso de letras maiúsculas e do ponto de exclamação no título. Não se sabe quantos álbuns o Deep Purple ainda tem pela frente, mas, nesse ritmo, não há razão para parar.