Uma superbanda com prazo de validade, com data para acabar. Difícil crer que isso possa ter existido em se tratando de um supergrupo com dois dos músicos mais celebrados do rock, mas o cantor Paul Rodgers costuma explicar assim o fim da The Firm 40 anos atrás.
A banda não estourou como se esperava, e então o cantor se saiu com essa, como se já tivesse engatilhado algo melhor para os anos seguintes, o que não ocorreu, diga-se de passagem.
The Firm acabou de modo melancólico depois de apenas dois anos e dois álbuns de boa qualidade, mas poderia render mais se os músico estivessem realmente interessados e comprometidos. Não estavam.
A ideia inicial foi de Jimmy Page, ex-guitarrista do Led Zeppelin. Com o fim da banda, em 1980,l ele trabalhou em trilhas sonoras de cinema e quase montou um trio com Chris Squire (baixo e vocais) e Alan White (bateria), ambos ex-Yes por volta de 1982.
No começo de 1982, almoçou com o amigo Paul Rodgers (ex-Bad Company e Free) e lhe fez a proposta de nova banda. O cantor ficou interessado e Page logo fez vazar a notícia, criando enorme expectativa pelo surgimento de novo supergrupo na Inglaterra.
Por algum tempo a formação estava definitda com os dois e mais Bill Bruford (bateria, então ex-Yes e King Crimson) e Pino Palladino (baixo, mais tarde na banda de John Mayer, de Pete Townshend e na de The Who). Os dois precisaram recusar por vários motivos e então chegaram Tony Franklin (baixo) e Chris Slade (bateria, mais tarde integrante do AC/DC).
Era uma ideia, mas The Firm se tornou derivativo do Led Zeppelin de um hard rock meio fora de moda, que cheirava muito anos 70, mas sem novidade ou atualização. Faltava algo novo eu fizesse do quarteto algo diferente.
A regravação de um clássico dos anos 60 e 60 famoso na voz de Elvis Presley, “You’ve Lost That Lovin’ Feelin’”, não ajudou muito – era uma tentativa de unir os dois mundos, os das FMs de rock clássico o das que investiam em hard rock em busca de um público mais jovem. Não deu certo.
O primeiro disco, “The Firm”, conseguiu certo destaque em 1985, mas a recepção ficou aquém do esperado, por mais que os shows tenham sido elogiados e frequentemente estivessem lotados. Page e Rodgers se recusaram a fazer ajustes para ficar mais “heavy”. Page e Rodgers perceberam o que mercado queriam e n]ao estava dispostos a ceder.
“Mean Business”, o segundo álbum, já tinha muitas músicas escritas e foi gravado rapidamente em 1986, mas os dois músicos que criaram The Firm já tinham decidido encerrar as atividades depois da turnê americana de promoção. Já estavam desanimados e abortar uma ideia que tinha grande potencial foi a solução encontrada.
The Firm foi m projeto interessante surgido na hora errada e sem a devida elaboração. Isso fica comprovado em “Outrider”, o álbum solo que Jimmy Page lançou dois anos depois, em sua primeira iniciativa solo. Era um rock pesado e moderno, encharcado de blues, tendo como vocalistas John Miles, Chris Farlowe e Robert Plant, seu ex-companheiro de Led Zeppelin.
Paul Rodgers tentou retomar a carreira solo, mas desvio e tentou uma parceria com o amigo Kenney Jones (baterista que tocou nos Small Faces, Faces e The Who). The Law enveredou pop lastreado na soul music, mas ficou apenas no primeiro LP, autointitulado. Era bem fraquinho.
Resfatou a ua carreira em 1992 quando lançou um CCD dedicado ao bluesman Muddy Waters. “Muddy Waters Blues” era puxado pela maravilhosa canção-título. Nas ouras canções, um guitarrista diferente para cada uma, gente do calibre de Brian May, David Gilmour, Jeff Beck e Neal Schon, entre outros.