A bela homenagem de Joe Bonamassa ao mestre Rory Gallagher

 Aproximando-se do meio século de vida, o maior nome do blues da atualidade atingiu o patamar esperado pela maioria dos astros de música pop: tomar as rédeas da carreira e fazer o que quer.  O guitarrista americano Joe Bonamassa, estupendo instrumentista, lança álbum todo ano e participa de mil projetos sem dar satisfações. É o verdadeiro workaholic deste século.

No ano passado, lançou um disco de músicas inéditas e cinco EPs com músicas homenageando os 100 anos de B.B. King. Tudo isso virou um CD duplo com 32 canções com a participação de um mundo de gente estrelada em todas as faixas, com Bonamassa tocando em todas.

Não deu tempo de saborear o maravilhoso trabalho e o guitarrista lança mais um EP com, três músicas ao vivo, uma prévia do próximo lançamento.

“The Spirit of Rory – Live From Cork” é a gravação em vídeo e em áudio de um concerto realizado em julho do ano passado em Cork, na Irlanda, idade natal de Rory Gallagher (1948-1995), um dos heróis nacionais daquele país.  Bonamassa foi a tração principal e o nome eu ajudou a organizar o concerto internacional que marcou os 30 anos da morte de Gallagher, que tem uma estátua na cidade.

Nome fundamental do blues mundial e figura política expressiva, Rory Gllagher conseguiu parar a guerra civil na Irlanda do Norte, em 1974, ao realizar uma série de concertos em várias cidades. Ea o auge da violência entre católicos-republicanos e unionistas-protestantes.

Não havia nome melhor para a homenagem d mais de duas horas tocando clássicos de Gallagher na terra natal dele. Joe Bonamassa é viciado em rock clássico a ponto de gravar várias canções de Yes e Jethro Tull e dedicar um CD/DVD ao vivo a músicas de Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck.

A pévia com três canções é simplesmente maravilhosa, com o blues visceral de Rory Gallagher transformado em rock pesado com uma categoria impressionante. Bonamassa vira do avesso o blues rock rústico e confere uma camada de dignidade e respeito raras vezes vistas em homenagens deste tipo.

“Walk On Ht Coals” vira um hard rock safado e elegante, enquanto “Bullfrog Blues” mantém o spírit original de rusticidade e vigor. “Who’s That Coming?” ganha ares de power blues, com toques de Clapton e muito do riffs vigoroso de Gallagher.

Não é só elegância ou qualidade. É uma questão de estofo e bagagem gigantesca. Bonamassa sabe e tem a informação, mas é um estudioso compenetrado e comprometido, além de perfeccionista.

Não só reproduz o que aprendeu com Gallagher como acrescenta muito e inova. Seus solos incandescentes guardam completa conexão com os do homenageado, bem como a procura dos timbres usados. Provavelmente será um dos maiores tributos de todo os tempos a um guitarrista de blues.

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