Quando uma cidade perde uma banda de jornal, uma livraria ou teatro, todo mundo morre um pouco a cada dia. E quando o teatro é emblemático, a morte fica muito mais estridente e evidencia que um pedido d socorro pe urgente em uma megalópole,
São Paulo está morrendo todos o dias desde que o ex-prefeito João Dori (PDFB) foi eleito, em 2016, passando pelos sucessores Bruno Covas e Ricardo Nunes, equipamentos culturais ou desaparecem ou são abandonados, seja por decisão administrativa, seja por iniciativas que apoiam a especulação imobiliária que despreza a arte, a educação e cultura.
O teatro Procópio Ferreira, nos Jardins, na zona sul da capital paulista, está prestes a sumir por conta da invasão imobiliária. Fechado desde novembro do ano passado, já sem a placa de identificação, o teatro, que abrigou, entre outros programas, “Sai de Baixo”, da TV Globo, entre 1996 e 2002. Em 77 anos de existência, foi palco das maiores melhores produções teatrais eu passaram por São Paulo, além de shows musicais de MPB, samba e rock.
Não há como medir a importância do patrimônio cultural do Procópio Ferreira para o país. É daqueles locais que emanam cultura a quilômetros de distância.
Desta vez a prefeitura paulistana nada tem a ver com o eventual desaparecimento do teatro. É apenas culpada por omissão, já que mantém silêncio quase criminoso e ensurdecedor. A administração municipal continua com pouco apreço pelos equipamentos culturais.
O conflito sobre o Teatro de Contêiner, no centro da cidade, É uma prova perfeita de como a luta pela arte é constante e perversa, com adversários poderosos e inimigos contumazes.
Ninguém sabe ao certo se o teatro realmente irá abaixo – as informações oficiais não existem -, mas o teatro está sendo desmontado. Vizinhos do teatro dão conta de que vários imóveis serão demolidos para dar lugar a um centro comercial e empresarial, embora haja quem fale em um condomínio residencial de alto padrão – mais um, em rápido e avassalador processo de esterilização da vida inteligente, com um aprofundamento do cinza que empobrece São Paulo.
Uma simples ameaça a um patrimônio cultural como esse já é uma das piores notícias que São Paulo poderia receber neste começo de ano. Lamentavelmente, são poucas as vozes que estão se levantando contra esse atentado. Nem mesmo os atores e atrizes de São Paulo estão se mobilizando.
Foram necessárias manifestações do ator Wagner Moura e do diretor de cinema Kléber Mendonça Filho, que concorrem ao Oscar 2026 com o filme “O Agente Secreto”, para que o mundo despertasse para o terrível fim, do teatro Procópio Ferreira, ainda que seja, por enquanto, só com lamentações. Ainda dá para salvar o teatro?