É tudo uma coisa só, com a música falando mais alto d que tudo e explodindo corações e mentes. Faia tempo que o guitarrista paulista Igor Prado não se emocionava ao falar e um álbum recém-lançado. Depois de dois discos com o tecladista austríaco 0Raphael Wressnig, agora o parceiro da vez é o cantor americano Omar Coleman, que também, é gaitista.
“Old, New Funk and Blue” é o primeiro álbum da dupla após quase uma década de amizade e colaborações. É uma amizade que transpira em cada música em gravações deliciosas que misturam blues, funk, rhythm and blues e sou music.
“Ele tocou e cantou em uma música no disco ‘Way Down South’, meu disco premiado nos Estados Unidos. Faz tempo que eu queria gravar com ele e finalmente deu certo”, disse o guitarrista em conversa exclusiva com o Combate Rock.
A parceria representa um aspecto do blues que tanto encanta Prado: a fusão de estilos que marcou a carreira do músico de São Caetano do Sul, no ABC Paulista – não é por outro motivo eu ele também toca com virtuoso Wressnig, um músico versátil que vai do jazz ao funk.
Mesclando canções autorais e músicas não tão conhecidas de nomes importantes do blues, os dois compilaram um álbum intenso e bem equilibrado. Gravado no estúdio de Prado em São Caetano, os músicos criaram um ambiente que exala bom gosto e diversidade.
Omar Coleman é da mesma estirpe de bleusmen modernos como Robert Cray, Eric Gales, Luther Dick6inson, Gay Clark Jr e Christone “Kingfish” Ingram. Aos 52 anos , carrega toda uma tradição de blues que encampa uma gama quase infinita de influências, por mais que seja um discípulo de Junior Wells (1934-1998), um dos maiores cantores e gaitistas de todo os tempos.
“Temos um, visão parecida de como tocar blues que vai além do sentimento, que é básico em se tratando de blues”, analisa Prado. “Tudo é blues, tudo é uma coisa só – blues, funk, soul – e O,ar pensa da mesma forma. Isso fez uma diferença enorme para confeccionar esse trabalho,”
A imensa maioria dos músicos que trabalharam em “Old, New Funk and Blues” é de craques brasileiros de vários gêneros, com destaque ao irmão baterista Yuri Prado e o tecladista gaúcho Luciano Leães.
O clima foi melhor possível e não se esvaiu com o tempo em que ficou guardado esperando a hora certa para ser lançado. Segundo Igor Prado, demorou mais de um ano para que o selo certo fosse encontrado para dar suporte à divulgação da obra.
A espera valeu a pena: Prado e Coleman encontraram apoio em Sallie Bengston, da Nola Blues Records, responsável por dar o nome ao álbum. “Ela e a empresa compraram a causa e entenderam a essência do nosso trabalho. Não é comum que isso ocorra e a parceria deu bons resultados”, comemoro guitarrista brasileiro.Dentro de uma simplicidade e de objetividade surpreendentes, a dupla atualizou temas e abordagens clássicas, ms com um olhar diferenciado de Coleman.
Sem abusar da melancolia, o americano fala de relacionamentos turbulentos e sem sintonia com franqueza desconcertante e enxerga pontos positivos onde a maioria dos músico de blues veria pessimismo. Sua interpretação forte e decidida é um dos pontos altos do álbum .
O álbum é delicioso e transpira emoção e descontração. “Moving on Better Days” é o resumo de um grupo de canções bem equilibradas e gostosas de ouvir, a mescla de blues e funk deixa tudo iluminado e dançante.
Coleman é um cantor carismático e ótimo gaitista. Canta com paixão e tem a música no sangue, com um balanço irresistível, como na icônica “I Wanna Do the Do”, irresistível e fantástica, da mesma estirpe de “I’m Leaving My No Good Woman”, forte e divertida.
Músico experiente e renomado nos Estados Unidos, Igor Prado construiu sólida reputação no Estado de São Paulo no começo do século. Com a Prado Blues Band tocou com expoentes máximos como o gaitista Flávio Guimarães, dos Blues Etílicos, além de acompanhar astros americanos em turnê pelo Brasil.
Com a Igor Prado Band, ampliou a sua presença nos Estados Unidos e foi indicado a vários prêmios , sendo o maior deles o International Blues Awards de 2016 na categoria de Melhor Álbum de Blues de banda iniciante com o disco “Way Down South”.
Canhoto e muito habilidoso, tem colaborado nos últimos anos com artistas brasileiros comais frequência, com o cantor Nasi, do Ira!, com quem fez um, álbum, com, releituras blueseiras de canções da banda do cantor.