Álbum inédito do Atomic Rooster ganha edição brasileira

O tecladista e vocalista inglês Vincent Crane (1943-1989)  se orgulhava quando as pessoas diziam que não conseguiam classificar o som de sua banda, o Atomic Rooster. Havia nítidas influências do rock progressivo, mas o som era agressivo, com letras obscuras e um clima bastante soturno.

Era diferente e chamou a atenção de muita gente, mas tinha um fator a mais que tornou a banda famosa em seu começo e que atraiu muito mais os olhares: um jovem baterista que prometia ofuscar os maiores nomes do instrumento da época.

Carl Palmer tinha apenas 19 anos e tocava como um veterano, imprimindo um entusiasmo genuíno em suas interpretações. Sua bagagem jazzística lhe conferia certa sofisticação e erudição, e ainda compunha. Será que o Atomic Rooster tinha estofo para segurar um monstro como esse?

Palmer ficou pouco tempo e brilhou no Emerson, Lake & Palmer, mas o Rooster sempre foi mais do que a banda que revelou o baterista. Crane era um grande músico e foi subestimado pela extrema concorrência de qualidade no rock naquele começo d anos 70. Aos poucos seus tesouros vão sendo redescobertos.

 ”Circle The Sun”, um trabalho que reafirmou a relevância do Atomic Rooster, agora está disponível pela Melômano Discos em 300 cópias (100 splatter e 200 vinil preto).

O álbum marcou o retorno ao estúdio de um dos nomes mais importantes da história do rock progressivo britânico após 42 anos sem lançar um disco de inéditas, sucedendo “Headline News”, de 1983.

Com dez faixas inéditas, “Circle The Sun” preserva o espírito que transformou o Atomic Rooster em uma referência, ao mesmo tempo em que incorpora uma abordagem atual em sua sonoridade.

A recepção internacional foi positiva. Críticos destacaram a capacidade da banda de recriar a essência de sua fase clássica sem soar presa ao passado

Entre os destaques estão “Fly Or Die”, “Circle The Sun”, “Follow Me”, “Rebel Devil”, “No More” e “Pillow”, que exploram diferentes nuances do rock progressivo setentista, alternando momentos mais diretos e pesados com passagens atmosféricas e reflexivas.

A forte presença do Hammond, os grooves marcantes e as guitarras carregadas de blues ajudam a reforçar a identidade sonora que tornou o Atomic Rooster uma banda singular dentro do cenário britânico.

A formação traz o guitarrista e vocalista Steve “Boltz” Bolton, um dos nomes ligados ao período clássico do Atomic Rooster, ao lado de Adrian Gautrey nos teclados e vocais, Shug Millidge no baixo e Paul Everett na bateria.

“Circle The Sun” nasceu da continuidade do trabalho iniciado com a reformulação do Atomic Rooster em 2016. Desde então, a banda voltou aos palcos da Europa, participando de festivais e realizando apresentações que reafirmaram o interesse do público por seu repertório e sua trajetória. A experiência acumulada ao longo desses anos de estrada contribuiu diretamente para a criação de “Circle The Sun”.

Redescoberta

Uma banda à frente de seu tempo é uma expressão que costuma ser usada sem moderação pela imprensa mais espalhafatosa e empolgada com novidades musicais. Muitas bandas foram aquinhoadas com essa expressão nos anos 60 e 70, e uma delas foi a inglesa Atomic Rooster.


Liderada Vicent Crane, a Aomic Rooster misturava som pesado e progressivo e abordava temas que iam do ocultismo ao mais puto terror, em contos realmente assustadores. Dependendo do ponto de vista, estava realmente além de seu tempo.

Apesar disso, é um grupo subestimado e injustamente mais conhecido por ter como baterista, por curto período, Carl Palmer.


A principal obra da banda estará de volta ao mercado em breve. A Melômano Discos irá lançar uma edição limitada do álbum “Death Walks Behind You”, com tiragem de 300 cópias divididas entre 200 unidades em vinil preto e 100 picture disc. O material traz capa dupla e um encarte de quatro páginas com fotos e texto assinado pelo jornalista Ricardo Batalha.

Lançado originalmente em 1970, a obra é considerada o momento de maior força criativa do grupo conduzido pelo tecladista Vincent Crane, que encontrou à época sua formação mais marcante ao lado de John Du Cann e Paul Hammond.

Gravado no estúdio Europasound, em Londres, “Death Walks Behind You” consolidou a sonoridade densa que se tornou característica da banda, marcada pelo órgão Hammond e pela ausência de baixo convencional.

A faixa-título, com atmosfera sombria e um riff de forte impacto, resume as intenções do disco, enquanto instrumentais como “Vug” e faixas como “Seven Streets” e “Sleeping for Years” evidenciam a mistura de peso, técnica e elementos que antecederam tendências do rock progressivo e do heavy metal.

O lançamento original não teve retorno imediato, mas o cenário mudou meses depois com o sucesso do single “Tomorrow Night”, que alcançou o 12º lugar nas paradas britânicas e impulsionou o nome do Atomic Rooster. A exposição na BBC, com participações em programas como o de John Peel, ampliou a visibilidade do álbum, que atingiu 15 mil cópias vendidas no Reino Unido e se tornou um marco na história do rock britânico.

O disco também ficou marcado pela capa criada por Alan Aldridge, inspirada na obra “Nebuchadnezzar”, de William Blake, que reforça a atmosfera densa e reflete conflitos internos vividos por Vincent Crane, que enfrentava problemas de depressão.

As letras carregadas de tensão e temas obscuros renderam acusações de satanismo ao grupo, o que John Du Cann minimizou ao afirmar que o universo dramático combinava melhor com o tipo de som que produziam.

Compartilhe...