O blues brasileiro abriu definitivamente as portas em 2025 quando uma safra das boas tomou conta dos palcos cm Bia Marchese, Bidu Sous, Carla Mariani e outras talentosas. Eram nomes fortes e que ainda sustentam um mercado ansioso por mais e mais mulheres para ocupar espaços.
Desde o ano passado passaram nomes de alto quilate do blues no Combate Rock. São cantoras experientes e estreantes em uma cena que promete mostrar várias novidades a parti de 2026 e estimular o surgimento de mais talentos. Nanda Moura, Barbra Rocha e Carol Carmin são as cantoras mais importantes do cenário atual.
Nanda Moura também é uma das guitarristas mais celebradas do blues nacional e se especializou ao tocar o chamado cigar box, um instrumento de três cordas inspirado e modelo rústicos comum no sul dos estados Unidos. Cresceu no múltiplo cenário musical do Rio de Janeiro.
Ela está investindo em uma guinada ousada desde o ano passado ao enveredar pelo mundo do pop rock. Os dois primeiros singles mostraram uma diversidade interessante a incorporar rock, blues e soul music com arranjos eletrônicos e letras fortes e engajadas.
O terceiro trabalho já está no ar. Depois de “Chefa” e “Louca”, o novo single é “”Sempre Não é Todo Dia”,” canção originl de Oswldo Montenegro e Mongol. Nanda reconduz a música por caminhos mais ásperos e intimistas. Com violão ‘resonator’ e slide, a interpretação assume contornos do blues do Mississippi, reforçando sua visão de que a música “é, naturalmente, um Blues”. São muito celebradas também as parcerias com a banda Blues Etílicos

Uma delicada voz paulista
Compor e cantar blues em português, muitas vezes, é a arte do impossível e duplamente difícil, disse certa vez o guitarrista brasileiro André Christóvam. É preciso achar o tom certo, as palavras certas e, principalmente, o sentimento preciso para entoar s canções do gênero.
Conseguir fazer tudo isso em seu primeiro EP é uma façanha e tanto, e a autora é a médica paulista Carol Carmin, que acaba de lançar “Azul Car,om. Na verdade, já faz algum tempo que a artista não atende mais pacientes em clínicas e hospitais, os palcos e o blues não deixam.
Uma das vozes mais belas do cenário de São Paulo, Carol encarna com propriedade a diva impenetrável e enigmática vivida por artistas dos chamados anos de vaudeville nos Estados Unidos dos anos 20 do século passado.
Conseguiu com eficiência. As quatro canções do primeiro EP recriam o clima de cabaré esfumaçado tão típico das casas de jazz. Em português, Carol Carmin entrega um trabalho que chama a tenção pelos detalhes e pela beleza de arranjos. Seu vocal é versátil, capaz de agregar sentimentos diversos e passear por figuras de linguagem como sarcasmo, ironia mesmo em canções com conteúdo denso, como “Meu Silêncio”.
Ela une o jazz tradicional ao mundo moderno com competência e, um terreno arriscado, mas que costuma recompensar bem os ousados e audaciosos. Nada como ter como referência os mestres Christóvam e os Blues Etílicos, mas Carol vai além,

O blues moderno que vem de Minas Gerais
A delicada chama do blues moderno acendeu com força em Minas Gerais neste ano de 2025. A cantora barbara Rocha é o novo nome da cena nacional com seu impactante novo EP, que apresenta quatro canções de extremo bom gosto.
Nome carimbado da cena musical de Belo Horizonte, Barbara avança para com um trabalho de qualidade e que se destaca por fugir do p do blues tradicional ou daqueles com viés jazzístico, lastreado em sons dos nos 20 e 30 do século passado.
A música dela é classuda, que dialoga com a country music, com o rhythm and blues e com o folk moderno. Apresenta ecos de Taylot Swift, Beth Hart, Zélia Duncan e Ana Carolina, privilegiando arranjos elegantes e vocais sem exageros, como na bela “Keep Coming Back to Me”.
“Lucky Puppeteer” é um primor de balda soul, cantada com sutileza e a mesma elegância da faixa anterior, enquanto que All the Stage (Too Scared)” aposta em outros terrenos, mias experimentais e mais pop, com guitarras mais marcantes e insinuantes. Essa canção explora inseguranças e barreiras emocionais, em um arranjo intenso e confessional.
“Acho que consegui reunir as minhas principais influências neste EP”, diz a cantora sobre ‘Sides’ ao Combate Rock. “Minha experiência de dez anos nos palcos de Belo Horizonte foi fundamental para que o resultado fosse plenamente satisfatório,”
O repertório de barbara Rocha é vasto e variado, como se pode constatar em “Get Loud, uma canção mais antiga quer traz uma força lírica e musical impressionante, o que deixa a pergunta no ar: por que a moça demorou para expandir as fronteiras de seu som e avançar para outras praças?
“Tive o privilégio de fazer coisas dentro do tempo necessário, quando era para ser feito. As músicas atuais são aquilo que devem ser, fruto de um período de maturidade pessoal e artística.”
Também reconhecida como talentosa compositora, Barbara faz o novo trabalho mergulhar em novos espaços, mergulhando em emoções intensas — vulnerabilidade, fragilidade, resistência e uma rebeldia romântica —, traduzindo um processo de cura e ressignificação do luto sob uma narrativa mais ousada e multifacetada.