A banda Carniça está comemorando 35 anos de existência com vários shows pelo Rio Grande do Sul expondo seu heavy metal extremo. Só que, involuntariamente, está no meio d uma polêmica envolvendo censura, boicote e liberdade de expressão por contada remoção de uma capa d CD das plataformas digitais.
A capa vetada, depois de muito tempo de exposição no YouTuble, é a do primeiro álbum, “Rotten Flesh”, de 1998, em que um cadáver de uma pessoa vítima de violência é exibido.
“Será que a suposta curadoria vê mesmo todas as capas ou é um robô aleatório?”, questiona o vocalista e baixista Mauriano Lustosa. “Por critério de ‘violência’ há coisas muito piores no YouTube e continuam no ar. Fomos atingido por uma medida perigosa, que fere a liberdade de expressão.”
Para ele, tão perigoso quanto o veto e a retirada da imagem é a falta d diálogo e de possibilidade. “Fomos prejudicados e e recebemos uma mensagem padrão vaga sobre os motivos. Não conseguimos entrar em contato com a empresa e não recebemos mais nenhuma informação. Estamos sendo ignorados e estamos com dificuldades sobre o que fazer agora. Será que teremos de colocar uma tarja preta na capa?”
O Combate Rock tentou entrar em contato com representantes da Meta e do YouTube, mas não conseguiu; Não recebemos resposta em nenhum canal de contato, o que mostra falta de compromisso com o consumidor/usuário. controladoras.
Relançado em 2016 para celebrar os 25 anos de carreira, “Rotten Flesh” recebeu uma remasterização e mais três faixas bônus, reafirmando a importância de um dos primeiros registros da banda para o underground gaúcho. O álbum, além de marcar a estreia discográfica da banda, ajudou a consolidar sua identidade dentro do Thrash/Death Metal brasileiro.
A banda já trabalha para reverter a decisão e restabelecer Rotten Flesh nas plataformas. Para os membros da Carniça, a remoção representa não apenas a indisponibilidade de um registro histórico, mas também uma interferência sobre uma obra artística cuja estética visual integra a identidade construída pelo grupo desde os anos 1990.

Formada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em 1991, a banda construiu uma trajetória marcada pela permanência no underground e pela fidelidade ao Metal extremo. Ao longo de três décadas e meia, sua música transitou pelo Thrash/Death Metal com elementos de Heavy Metal clássico, enquanto suas letras frequentemente abordaram acontecimentos históricos, questões sociais e diferentes formas de crítica.
Depois de Rotten Flesh, a discografia ganhou continuidade com Temple’s Fall… Time to Reborn (2011), Nations of Few (2013), Carniça (2017) e A New Medium Ages (2022), consolidando uma trajetória construída sem abandonar as raízes que marcaram seus primeiros anos.
Recentemente, a banda também passou por uma mudança em sua formação, com Mauriano Lustosa reassumindo o baixo e voltando a concentrar as funções de vocalista e baixista. A formação atual é completada por Parahim Neto (guitarra) e Marlo Lustosa (bateria).
A nova fase também será marcada por um EP com três faixas inéditas. Entre elas está “Lanceiros Negros”, composição que amplia a abordagem histórica da banda e funciona como uma continuação conceitual de “Revolução Farroupilha”, presente no álbum Carniça, de 2017. A faixa aborda a trajetória dos Lanceiros Negros, combatentes afro-brasileiros envolvidos na Revolução Farroupilha, retomando um dos episódios mais controversos da história do Rio Grande do Sul.