Banda Papangu expande as possibilidades do metal com elementos nordestinos

Papangu (Foto: divulgação)

Angra e Sepultura abriram os portões da criatividade ao misturar heavy metal com música e folclore brasileiros e quase 30 anos atrás e abriram as portas para um mundo de possibilidades, que incluiu o som pesado dos Devotos coma música pernambucana e a composição de um álbum de metal com o universo do poeta e escritor Ariano Suassuna no trabalho da banda Caravellus, também com raízes em Pernambuco.

Aprofundando o conceito, os paraibanos do Papangu mergulham fundo no universo cultural nordestino em um legítimo prog metal criativo a inusitado. Dá para dizer que a banda faz um som diferente e atraente em uma época cada vez mais difícil de se destacar pela inovação. Por isso é bastante requisitada no Sul e mo Sudeste

A base do nosso som é o rock progressvo dos anos 70, mas com o nosso mlho”, diz o guitarrista Hector Ruslan, que também faz os vocais, “Mas tem muito de Dream Theater e Opeth em nossas influências, e muita música brasileira e nordestina que crescemos ouvindo no rádio e em casa.”

Em conversa exclusiva com o Combate Rock, o músico celebrou a diversidade das influências e relembra como é rica experiência já longeva da Papangu. “Somos músicos com idade em torno dos 30 aos e pegamos muito novos a transições de mercado, e vivemos o melhor os dois mundos, quando o rock ainda era grande, no começo dos anos 2000, e as facilidades que a internet trouxe nos proporcionando coisas que teríamos dificuldade de ter acesso. Conhecíamos bastante Yes, Genesis e Rush, mas também pudemos conhecer Gentle Giant e bandas brasileiras progressivas dos anos 70. Tenho certeza que nosso som é rflexo de tudo isso.”

Depois de sofrer um furto total de equipamentos no Rio de Janeiro no ano passado, abanda Papangu se reergueu com ajuda de amigos e fãs e se prepara para realizar uma turnê europeia – a banda tem um cartaz enorme em vários países, com status de cult. Ao lado do Maestrick e da Black Pantera, é a melhor banda de rock brasileira da atualidade.

Ascensão

O grupo anunciou as datas de sua primeira turnê na União Europeia e no Reino Unido em agosto. A Turnê Umburana marca a estreia internacional de seus dois álbuns aclamados pela crítica – Lampião Rei, lançado em setembro do ano passado, e Holoceno, de 2021 – e inclui passagens por festivais como o prestigiado ArcTanGent, no Reino Unido, e o Complexity Fest, na Holanda.

Seu último disco, Lampião Rei, mostra os traços camaleônicos da Papangu, misturando a intensidade do metal progressivo com jazz fusion e ritmos do Nordeste – combinação que rendeu à banda um show no Knotfest Brasil de 2024.

O disco ainda figurou em diversas listas de melhores discos de 2024, como APCA, Scream & Yell, Minuto Indie, Hits Perdidos e Popload. Na esteira do sucesso de crítica e público, Lampião Rei ganhou em fevereiro de 2025 sua primeira edição brasileira exclusiva em vinil translúcido de 180 gramas, capa envernizada e encarte completo pelo selo Taioba Discos, que tem como missão valorizar a música independente paraibana.

“Tocaremos nossa discografia na íntegra, além de material inédito do nosso próximo LP, que gravaremos logo após a turnê”, diz o baixista Marco Mayer. “Cada show do Papangu é uma experiência única, pois improvisamos e rearranjamos nossas músicas ao vivo no palco, o que tem sido a base da nossa reputação. Estamos muito ansiosos para finalmente levar essas apresentações malucas para o público estrangeiro e de brasileiros fora do Brasil”.

A primeira turnê europeia da Papangu e o próximo LP são impulsionados por duas aclamadas turnês nacionais que cobriram nove estados brasileiros e dezenas de cidades, com shows esgotados em locais nunca antes visitados pela banda. Apesar de um assalto sofrido após um dos shows, a comunidade musical se uniu para ajudar o grupo a se reerguer e recuperar equipamentos e merchandising. “Agora, essa energia positiva e a solidariedade moldam o caminho da banda para estes novos projetos”, conclui Marco.

Trajetória

O mais recente lançamento da banda – um álbum conceitual labiríntico, que narra as provações do lendário rei do cangaço – mostra a sonoridade própria da Papangu levada à fervura. Lampião Rei não só traz a intensidade que trouxe comparações a bandas como King Crimson e Magma, mas também exibe orgulhosamente a brasilidade do grupo, que se inspira em artistas como Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Milton Nascimento e Sepultura.

Com transições repentinas, porém cuidadosamente ensaiadas, de vocais guturais para harmonias vocais de forte sotaque nordestino, Lampião Rei captura uma energia imprevisível e visceral. O álbum foi gravado pelo engenheiro Fernando Sanches, ganhador do Grammy Latino, em São Paulo, mixado pelo produtor berlinense Richard Behrens e masterizado pelo arquiteto sonoro Andrea Petucco.

As participações especiais de membros do Test, Deafkids, Jaguaribe Carne, Magma e Ad Nauseam acrescentam camadas de subversão ao disco. Por sua vez, Holoceno, álbum de estreia do grupo, também posicionou a Papangu na vanguarda do cenário do metal experimental da América do Sul.

Além de dividir o palco com grupos como Melvins, Imperial Triumphant e Kayo Dot nos festivais ArcTanGent e Complexity Fest, a Papangu terá a abertura de seus shows feita pela banda Sex Magick Wizards (Noruega) em datas selecionadas.

Formada em João Pessoa (PB) em 2012, a Papangu se destaca no cenário mundial por sua fusão única de metal progressivo moderno com influências da cultura nordestina. Seu primeiro álbum, “Holoceno”, uniu o peso do sludge metal com narrativas de realismo fantástico com letras em português e foi amplamente elogiado pela crítica especializada brasileira e internacional, incluindo menções em importantes listas de melhores álbuns de 2021.

Em 2024, o grupo lançou “Lampião Rei”, mais um trabalho conceitual que explora a trajetória do lendário cangaceiro Lampião, gravado com o renomado engenheiro Fernando Sanches (vencedor de um Grammy Latino) e mixado em Berlim por Richard Behrens, especialista em heavy psych.

O disco também consolidou a nova formação da Papangu, com Rai Accioly (guitarra, vocais), Marco Mayer (baixo, vocais), Hector Ruslan (guitarras, vocais), Pedro Francisco (flautas, guitarras, baixo, percussão, vocais), Rodolfo Salgueiro (piano, órgão, synths, triângulo, vocais) e Vitor Alves (bateria e percussão).

A banda fortaleceu sua presença no panorama internacional ao participar do KnotFest Brasil (2024), dividindo o palco com ícones como Slipknot, BABYMETAL, Black Pantera, Korzus, Ego Kill Talent e Till Lindemann. A turnê pela Europa, que começará em agosto, representará mais uma importante etapa na carreira do grupo, passando por festivais como o ArcTanGent, no Reino Unido, e o Complexity Festival, na Holanda.

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