Black Crowes acertam ao mergulhar no passado em novo álbum

A banda americana de rock setentista Black Crowes redescobriu no passado o prazer de voltar a tocar e compor. Depois de 15 anos, lançou novo álbum em 2024 e agora tem mais um lançamento de inéditas, o bom “A Pound of Feathes”, que tenta recuperar o ambiente descontraído e bagaceiro dos dois primeiros discos, do comecinho dos anos90.

Os irmãos Chris (vocais) e Rich Robinson estão em paz e procuraram nos primórdios da banda a inspiração para fazer o eu sempre fizeram – rock básico e encharcado de blues e uísque, na melhor tradição anglo-americana dos Rolling Stones, dos Faces e dos Allman Brothers.

Se está longe de ser uma obra-prima, é um trabalho gostoso de ouvir, em que as guitarras e pianos dialogam o tempo todo em um clima divertido e positivo, com letras igualmente bem, sacadas e divertidas recuperando um período em que os irmãos, jovens, pareciam não ter pressa de abraçar o mundo

“Profane Prophecy” é o primeiro single e a música mais expressiva do álbum. Começa com uma pegada Rolling Stones transplantada e cowbell. Há muita energia, palmas e batidas de pé em abundância e até uma imitação de cachorro em certo momento. Excitantemente divertido e uma boa escolha para abrir o álbum.

“Cruel Strea”k, que vem a seguir, mantém o ritmo. É um blues rock acelerado (o que mais?) com bateria staccato bem vibrante e uma mudança de tom que lhe dá um toque extra. “Pharmacy Chronicles” diminui o ritmo um pouco, apresentando uma narrativa envolvente com influências de blues e órgão. Liricamente, é uma história sobre aquele mundo surreal do rock’n’roll que você não encontra trabalhando em um supermercado…

 O que vem a seguir não é, apesar do título, uma música garageira no estilo do The Cramps, mas não está muito longe em espírito. Fãs de batidas fortes e riffs clássicos de metal vão gostar dessa.

“High and Lonesome” é outra faixa cujo título provavelmente confundirá o ouvinte; longe de ser uma canção bluegrass, é um AOR radiofônico de ritmo médio, fácil de cantarolar, embora haja um breve solo de violino. Para nossa alegria, há uma pausa instrumental um tanto psicodélica na segunda metade que pode confundir os diretores de programação de rádio.

“Queen of the B-Sides” — com apenas dois minutos e dois segundos de duração — se aproxima do território das baladas do Guns N’ Roses, mas sua brevidade a torna um bom argumento para o ditado “menos é mais”.

Depois de aparentemente esgotar a cota de músicas mais lentas, o álbum retorna com força total com um refrão grudento que mistura glam rock com blues dos anos 60, antes de mais estrondos e brutalidade explodirem nos alto-falantes em Blood Red Regrets. Esta faixa tem uma pegada meio Led Zeppelin, épica e grandiosa em tom e riffs.

“You Call This a Good Time” mantém a essência do rock clássico, com suas guitarras estrondosas ao estilo AC/DC e uma lista de drogas, antes da reflexiva e dinâmica Eros Blues, com seus riffs ascendentes e descendentes no estilo de órgão de Jon Lord. O álbum se encerra com Doomsday Doggerel, uma ótima parceira musical para a faixa anterior, Blood Red Regrets, em seu tom e peso bluesy dos anos 70.

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