C6 Rock é o ‘Xou da Xuxa’ dp roqueiro conservador e acomodado

Em uma espécie de túnel do tempo tenebroso, milhares de quarentões e cinquentões lotaram um estádio de futebol em busca de um transe quase inacreditável.

Ao som de músicas infantis ruins, tentaram de se teletransportar pra um tempo em que muitos instintos infantis afloraram na celebração dos mais de 40 anos de Xou da Xua – na verdade, um verdadeiro xou de horrores.

Ninguém se constrangeu com os surtos e crises de choro na devoção à “rainha dos baixinhos”, gente lamentável que se ajoelhava na hora em que uma tal nave espacial descia no centro do Nubank Park.

Catarse parecida é esperada no festival nostálgico que reunirá bandas antigas do rock nacional em São Paulo nos próximos dias.

O C6 Rock só convocou atrações que têm mais de 40 anos de carreira, em celebração a um passado distante e que frequentemente continua no radar dos conservadores roqueiros brasileiros. É o grande Xou da Xuxa do rock nacional.

Não é algo para se comemorar. É uma falsa demonstração de vigor musical de um mercado fossilizado que celebra cada vez mais o passado e reduz o espaço de atrações mais novas e diversificadas.

Não se trata de repudiar as atrações do rock brasileiro dos anos 80, ainda muito fortes no imaginário de um amplo público. As turnês Titãs Encontro e Barão Vermelho Encontro são provas de que há uma demanda grande por esse tipo de entretenimento.

A questão é o C6 Rock escalou apenas bandas e artistas dos anos 80, em uma guinada conservadora inexplicável por conta do fervilhante cenário underground. Desde 2015 a quantidade de bandas brasileiras boas só aumenta, mas esse crescimento não está ocorrendo no mesmo ritmo em relação a oportunidades de shows e espaço para tocar.

Esse conservadorismo que predomina é maléfico para o mercado e limita a expansão de uma cena que já se mostrou extremamente produtiva – limitações que não existiam quando as mesmas bandas dos anos 80 explodiram e se expandiram.

Equívocos conceituais

Com o espírito do antigo Free jazz, anunciou uma extensão”, o C6 no Rpck, que vai celebrar bandas antigas com mais de 40 anos de existência.

A criação do novo festival vai contra a essência do evento principal ao privilegiar o passado e a nostalgia, como fizeram os Titã na turnê Encontro” e como o Barão Vermelho está fazendo agora em turnê com o mesmo nome e mesmo promotor.

É uma tremenda decepção saber que vão tocar somente atrações que participaram do movimento do rock nacional dos anos 80, aind que tocando álbuns na íntegra..

É como só existisse o passado no mercado, ou seja, só artistas com mais de 40 nos de carreira conseguissem atrair algum tipo de público suficiente e satisfatório. Diante desse gol contra escandaloso, não há como deixar de exaltar a curadoria do Lollapalooza Brasil.

Não se trata depreciar os maiores nomes de nosso pop rock, mas é necessária uma crítica séria e uma insurgência contra essa fase de só valorizar o passado e reforçar que o rock que vale mesmo hoje, que vende e trai interesse, é o de três ou quatro décadas atrás, sem espaço para aristas mais recentes.

O evento acontece na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, nos dias 22 e 23 de agosto de 2026. Blitz, Ira!, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá da Legião Urbana, Marina Lima, Os Paralamas do Sucesso, Paulo Ricardo, Plebe Rude e Titãs sobem ao palco para interpretar, ao vivo, o álbum mais icônico de suas carreiras naquela década.

Clientes do C6 Bank terão acesso exclusivo à pré-venda (17 e 18 de abril) e 20% de desconto no valor dos ingressos, inclusive para meia-entrada e para o pacote passaporte, mediante compra com o cartão de crédito do banco. A venda para o público em geral se iniciará no dia 19 de abril, ao meio-dia.

A programação inclui ainda duas homenagens especiais: um time de all-stars comandado por Liminha mergulha no repertório de Cazuza (1958-1990), enquanto cantoras de diferentes gerações homenageiam Rita Lee, figura central do rock e da música brasileira, em show regido por Beto Lee, filho da artista.

C6 no ROCK: preços

por diaInteira: R$ 360

Meia: R$ 180

Inteira C6 Bank: R$ 288

Meia C6 Bank: R$ 144

C6 no ROCK: preços

PassaportePassaporte Inteira:R$ 648,00

Passaporte Meia: R$ 324,00

Passaporte Inteira C6 Bank: R$ 518,40

Passaporte Meia C6 Bank: R$ 259,20

SERVIÇO – C6 no ROCK

PARQUE IBIRAPUERA (Av. Pedro Álvares Cabral, 0 – Ibirapuera)

Programação

Sábado — 22 de agostoPlebe Rude — “O Concreto Já Rachou” (1986)

Paulo Ricardo canta “Rádio Pirata ao Vivo” (1986) e Hits

Paralamas do Sucesso — “Selvagem?” (1986)

Titãs — “Cabeça Dinossauro” (1986)

“Meu sonho é ser imortal”: homenagem a Rita Lee com Alice Caymmi, Baby do Brasil, Catto, Fernanda Abreu, Letrux, Marina Sena, Miranda Kassin e Sandra Sá.

Domingo — 23 de agostoIra! — “Vivendo e Não Aprendendo” (1986)

Blitz — “As Aventuras da Blitz” (1982)

Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocam “Dois” (1986), da Legião Urbana

Marina Lima com Liminha e Lobão — “Fullgás” (1984)

“Todo amor que houver nessa vida”: homenagem a Cazuza com atrações a serem anunciadas em breve

Destaque, Rock nacional

Ira!, Legião Urbana, Paralmas do Sucesso, Titãs

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