No momento em que a banda inglesa de ruck progressivo Jethro Tull abre o baú para lançar material raro e inédito, como a versão ampliada de “Under Wraos”, uma banda “derivada” coloca no mercado uma caixa luxuosa com sua discografia dos primeiros anos. É o Bloodwyn Pig, formada pelo ex-guitarrista do Jethro Tull Mick Abrahams. “The Recordings 1969-1974” é o nome do novo produto.
Fundamentalmente uma banda de blues, o grupo logo aderiu ao rock progressivo, com uma sonoridade bem próxima à da banda anterior de Abrahams, qu gravou apenas o primeiro disco do Tull, “This Was”, de 1968.
Instrumentista habilidoso, Mick Abrahams não tina a pegada roqueira exigida por Ian Anderson, o líder do Jethro Tull. Vocalista, violonista e flautista, o líder já planejava mudanças para o segundo álbum e bateu de frente com o guitarrista, que optou por sair do Tull.
Ele sempre foi reconhecido como um dos grandes guitarristas daquela época. Formou a banda Blodwyn Pig, que lançou seu álbum de estreia em 1969. Em 1970, após o lançamento do segundo álbum, o Blodwyn Pig já havia se desfeito. Vale ressaltar que ambos os álbuns entraram no Top 10 das paradas de álbuns do Reino Unido e foram bem recebidos comercial e criticamente na época de seus lançamentos.
Ouvindo os dois álbuns em 2026, fica fácil entender por que eles eram tão amados. É um blues-rock visceral, executado com perfeição e convicção nos vocais.
“The Recordings 1969-1974” foi editado pela Cherry Red Records e inclui suas gravações de estúdio (incluindo faixas bônus) e um CD com gravações das sessões da BBC. É uma oportunidade de ter Blodwyn Pig instantaneamente em sua coleção.
Os álbuns originais são puro rock-blues clássico. Embora fizessem parte da cena londrina, a música é diferente de artistas como Peter Green (Fleetwood Mac), Eric Clapton ou Jeff Beck. Abrahams incorpora saxofone e flauta ao blues. Ouça “Sweet Caroline” e preste atenção na interação entre o saxofone e a guitarra.
Uma música como “See My Way” é linda em seu arranjo simples e tem mais em comum com Rory Gallagher do que com Jimmy Page. E justamente quando você pensa que entendeu a música, ela explode em um final poderoso, quase metal. É brilhante. Mais uma vez, o arranjo de metais é breve na música, mas acrescenta muito.
Os fãs da banda provavelmente já possuem os dois primeiros álbuns, então o que mais chamará a atenção deles serão as faixas bônus associadas a cada álbum, bem como o terceiro CD com gravações das sessões da BBC, incluindo músicas das John Peel Sessions e do programa Radio 1 In Concert. Essas músicas foram gravadas em 1974.
A banda se reuniu diversas vezes durante a década de 1970, às vezes sem Abrahams e outras vezes com ele. O mesmo pode ser dito das gravações das John Peel Sessions de 1974. Elas soam ótimas e são uma adição bem-vinda ao catálogo da banda.
Duas faixas das sessões da BBC não contam com Abrahams (“Moon’s Gone” e “Lady Of Liberty”), ambas com Peter Banks. Mesmo assim, vale a pena ouvi-las e oferecem um pequeno vislumbre de outra fase da história da banda.
O mundo do rock perdeu Abrahams em dezembro do ano passado. Um guitarrista, vocalista e compositor seriamente subestimado que, nos últimos anos, nunca recebeu o reconhecimento que merecia.
Isso foi corrigido com este lançamento, que já estava em produção muito antes de seu falecimento.
“The Recordings 1969-1974” é uma oportunidade para os fãs de blues-rock se atualizarem e ouvirem o que podem ter perdido durante todos esses anos.
É também uma chance para os fãs ouvirem algumas joias inéditas e adicioná-las à sua coleção. De qualquer forma, The Recordings 1969-1974 é o som de um grupo que entendia e sabia tocar blues-rock. Seu som era único e envelheceu notavelmente bem. A embalagem e o livreto fornecem um relato detalhado da banda e são uma fonte brilhante para sua história. “The Recordings 1969-1974” é uma compilação brilhante.