Caixa resgata raridades da banda escocesa The Waterboys

O po´s-punk inglês da primeira metade dos anos 60 costuma serlembrado e rotulado como a melhor fase di pop britânico, legando coisas como o sinth pop, a new wave, o celtic punk, a new bossa e o folk pop, apensa para ficar entre alguns subgêneros. Tinha espaço at´r para coisas completamente fora do esquema, como a banda The Waterboys.

Mais folk do que pop e rock, é capitaneada até hoje pelo excêntrico guitarrista e vocalista escocês Mike Scott, inventivo compositor que celebra os 45 ano d existência de seu grupo com um interessante mergulho nos arquivos, Nem só do hit “The Whole of the Moon” vive The Waterboys.

Depois das escavações realizadas para a caixa do álbum “Fisherman’s Box” de 2013, Mike Scott havia vasculhado todo o fundo do oceano das sessões de “Fisherman’s Blues”, o disco mais famoso do grupo. E então temos outra caixa monumental: “Atlantic Rain: The Losy Fishrman’s Blues Recordings”, com muito banjo, violino, rabeca e piano com timbres folk.

Mas, por mais abrangente que fosse, aquele box limitava-se a uma análise cronológica da evolução de Scott entre 1986 e 1988. Naquela época, graças a um processo digital pioneiro que utilizava fitas Betamax, a gravação nunca parava. Nunca era o suficiente.

São claras as influências e ecos de Hank Williams, The Carter Family e Planxty. Havia lampejos de música folclórica tradicional, mas a essência era paixão, convicção e todo tipo de gospel.

Esse é o sabor que permeia “Atlantic Rain”. Antes de sua mudança inesperada para a Irlanda em 1986, Scott frequentava a loja de discos Dobells’ Jazz, Folk And Blues, na Charing Cross Road, em Londres, e tinha o hábito de adaptar canções gospel para o The Waterboys. Zshow em Londres de Mattie Moss Clark — a matriarca e cantora gospel do grupo The Clark Sisters — e a aponta como uma “influência definitiva”.

“Atlantic Rain” pertence a uma categoria própria. Trata-se do material intermediário: os aquecimentos e os momentos de relaxamento. Às vezes, a banda mal parecia ter consciência do que estava tocando; Scott não se lembra de “Light Shine On Me”, “Can’t Feel At Home In This World Anymore” ou “This Land is Your Land”. “Não me lembro de tocá-las, mas a prova está na fita. Eu estava lá, pelo visto!”

Essas três músicas estão entre as performances mais despretensiosas. “This Land…” é a melhor delas, pois imaginar Woody Guthrie vestindo um suéter de lã Aran é algo plausível, e um hino a um ideal universal nunca sai de moda.

As verdadeiras preciosidades estão logo no início. A faixa de abertura, “Too Close To Heaven”, acrescenta uma sonoridade gospel a uma base de bateria estilo Motown — com Dave Ruffy (do The Ruts) comandando a bateria com energia explosiva —, ao saxofone cheio de alma de Anthony Thistlethwaite e aos vocais brincalhões de Scott, que deslizam para o falsete.

Em seguida, vem “Come Back To Galway”, uma canção sobre Steve Wickham, o violinista dos Waterboys. Scott era tímido demais para gravar a homenagem na presença do colega de banda e acabou adicionando uma narração vocal 39 anos mais tarde.

Essa música sintetiza o sentimento do álbum: “A chuva do Atlântico me faz lembrar de casa”. Segue-se uma versão ao estilo de Dylan para “The Man With The Wind At His Heels”, que de alguma forma funde o espírito errante irlandês a um ritmo minimalista. É uma canção sobre estrelas, sinais de esperança e coisas a serem seguidas. The Waterboys que precisa ser redescoberta.

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