Catalau e o Último Golpe quer provar que o Golpe de Estado não morreu

Xatalau e o Último Golpe )Foto: divulgação;/reprudção de redes sociais

André Marechal foi se aproximando aos poucos do vilão nos cultos evangélicos em um templo no litoral norte paulista. O pastor colocou o instrumento perto do palco por sugestão da mulher, mas raramente encostava nele. Nenhum dos fiéis desconfiava naqueles tempos que tinha sido o vocalista visceral da melhor banda de hard rock do Brasil.

O pastor tinha sido Catalau em outra vida, o vocalista do Golpe de Estado por nove anos até sair, em 1994, para salvar a sua vida de todos os excessos do show business. Ele demorou para se reconciliar com o passado e a verve artística foi voltando aos poucos mesmo depois que encontrou a palavra de Jesus Cristo.

O violão já fazia parte do cultos havia muito tempo quando aceitou, com certar relutância, participar de dez shows da turnê de despedida do golpe de Estado, como convidado, em 2015. Foi o acontecimento roqueiro da década no Brasil.

Sobrevivente, Catalau deu mais um gole na vida ao aceitar voltar definitivamente `vida do rock 31 anos depois de sua despedida em um projeto que respira e transir Golpe de Estado. Talvez só assim para fazê-lo descer do púlpito.

A primenria morte do Golpe ocorreu em 20’4, após a mort do guitarrista Hélcio Aguirra. A segunda, dez anos depois, com a morte do baixista Nelson Britto, então o único fundador na formação. O encerramento definitivo, com os remanescentes, correu em dezembro passado, fechando uma história gloriosa de 40 anos. Catalau fundou o Golpe de Estado ao lado de Aguirra, Britto e o baterista Paulo Zinner, que ainda está vivo e que toou anos com Rita Lee.

Catalau e o Último Golpe é a nova banda de hard rock que pretende manter vivo, em parte, legado do Golpe de Estado, recuperando hits antigos e com canções novas. N formação estão Catalau (vocais – ex-Golpe de Estado), Marcelo Schevano (guitarra – Golpe de Estado/Carro Bomba/Patrulha do Espaço), Ricardo Schevano (baixo – Carro Bomba/Baranga) e Roby Pontes (bateria – Golpe de Estado/Carro Bomba).

O som segue a linha do hard rock que marcou a trajetória desses músicos, agora com uma roupagem atual e cheia de energia.

A banda já está em estúdio produzindo músicas inéditas que poderão ser conferidas muito em breve. Nos shows, além das novidades, o público também poderá reviver grandes clássicos do Golpe de Estado, Casa das Maquinas, entre outras canções que fizeram parte da história de seus integrantes.

Um trecho do novo single, que será lançado nas próximas semanas, já está disponível na página oficial da banda no Instagram.

Faz sentido criar uma derivativa de um ícone do rock que acabou de encerra as atividades? Pouco importa. Os nomes envolvidos são uma garanti de qualidade em um momento em que estão na ativa diversas bandas de hard rock cantando em português, mas nenhuma que consiga ombrear o antigo Golpe de Estado.

A melhor notícia, no entanto, é o retorno de Catalau ao rock, uma ausência que deixou muita frustrada quando a música o perdeu para a religião, ainda que isso tivesse sido fundamental para salvar a sua vida.

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