A era da informação e da ignorância está imponto desafios inimagináveis à sociedade civilizada do século XXI. À enxurrada de mentiras e notícias falsas soma-se a quebra de limites entre boicote, saudável em uma democracia, e censura, danosa em todos os sentidos.
Tecnicamente, censura é quando o poder público, na figura do Estado, proíbe ou reira de circulação qualquer coisa. É uma medida geralmente associada a Estados autoritários e totalitários a área da política.
Quando se trata do setor privado, a situação muda um pouco, já que censura pode se transformar em boicote. Em tese, eu ou uma empresa privada somos livres para fazer escolhas – querer ou aceitar – ou não – o que quer que seja.
Mas quando se trata de uma empresa hegemônica, que domina o mercado e a vida de tal forma que inviabiliza negócios e prejudicam vidas, como no caso do Google e Meta, dona das redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp?
Como fazer para evitar ou recuperar em caso de banimentos estapafúrdios por motivos políticos, ideológicos e estéticos. São empresas multinacionais que ignoram leis e reclamações de usuários. Vresceram de tal forma e se expandiram a ponto d influenciar ns vontades nacionais e políticas de uso para impor vontades algorítmicas e determinar o que podemos ver ou ler.
Duas bandas brasileiras de rock estão sofrendo nas mãos da empresa Meta por contas de “políticas de uso” e “ exposição de conteúdo: tiveram capas de seus trabalhos musicais vetadas por motivos estapafúrdios e que causam muita preocupação em relação à liberdade de expressão e censura.
Os gaúchos da Carniça e as paulistas das Ratas Rabiosas tiveram capas de álbuns proibida de serem exibidas em plataformas como YouTube e Spotify por “violarem as políticas de uso”. Receberam e-mails automáticos informando que as capas eram ofensivas e estimulavam a violência. Não puderam se defender nem explicar o contexto das obras. Não tiveram mais respostas aos pedidos de explicações.
A banda Carniça está comemorando 35 anos de existência com vários shows pelo Rio Grande do Sul expondo seu heavy metal extremo. A capa vetada, depois d muito tempo de exposição no YouTuble, é a do primeiro álbum, “Rotten Flesh”, de 1998, em que um cadáver de uma pessoa vítima de violência é exibido.
“Será que a suposta curadoria vê mesmo todas as capas ou é um robô aleatório?”, questiona o vocalista e baixista Mauriano Lustosa. “Por critério de ‘violência’ há coisas muito piores no YouTube e continuam no ar. Fomos atingido por uma medida perigosa, que fere a liberdade de expressão.”
Para ele, tão perigoso quanto o veto e a retirada da imagem é a falta d diálogo e de possibilidade. “Fomos prejudicados e e recebemos uma mensagem padrão vaga sobre os motivos. Não conseguimos entrar em contato com a empresa e não recebemos mais nenhuma informação. Estamos sendo ignorados e estamos com dificuldades sobre o que fazer agora. Será que teremos de colocar uma tarja preta na capa?”
O Combate Rock tentou entrar em contato com representantes da Meta e do YouTube, mas não conseguiu; Não recebemos resposta em nenhum canal de contato, o que mostra falta de compromisso com o consumidor/usuário.
As punks paulistas Ratas Rabiosas tiveram o mesmo problema recentemente para publicar seu mais recente álbum em plataformas digitais, segundo relataram em postagens no Instagram. As alegações são vagas, como sempre, informando sobre conteúdo “ofensivo e qu estimula a violência”.
Receberam comunicados automáticos e não conseguiram entram em contato pedindo mais explicações ou informações de como consertar a situação.
O álbum em questão é “¡Qué Ardan!”. A capa foi recusada e censurada pelas plataformas de streaming, como o Spotify. O veto aconteceu devido ao teor político da arte conceitual.
A imagem original trazia críticas e alusões diretas ao governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de (Republicanos). Além disso, atacava a política de segurança pública e de combate às drogas implementada na região da Cracolândia.
É o terceiro trabalho de estúdio do grupo, conhecido pelo forte discurso antifascista e anti-imperialista. O grupo utilizou as redes sociais, incluindo o Instagram oficial das Ratas Rabiosas, para denunciar o ocorrido, reforçando a postura de contestação e protesto do movimento punk de rua. A banda está analisando formas legais de contestar a decisão das plataformas digitai.
Devido à abrangência das redes sociais e a proporção que tomaram na vida atual, a discussão entre censura e boicote precisa ser feita para estabelecer reparações em caso de prejuízo e mesmo os limites da atuação destas empresas gigantes, da mesma forma que se debate os impactos para a saúde mental e comportamento em crianças e adolescentes.
A questão passa também pelo debate sobre a liberdade de expressão, ainda que se trate de uma empresa privada. Os critérios que “vitimaram” Carniça e Ratas Rabiosas passa diretamente por uma profunda análise ideológica e filosófica de como abordaremos a liberdade de expressão em tem de hegemonia das redes sociais e de suas empresas controladoras.