Como David Coverdale e Glenn Hughes, do Deep Purple, ensinaram o rock pesado a falar de amor

Coverdale (esq.) e Hughes em um restaurante na Califórnia (FOTO: AQUIVO PESSOAL/FACEBOOK/GLENN HUGHES)... - Veja mais em https://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/13/deep-purple-reuniao-com-ex-integrantes-continua-quase-impossivel/?cmpid=copiaecola

Em sua memorável primeira visita ao Brasil, o cantor americano Ronnie James Dio – á época com o Black Sabbath, que também estreava no Brasil-, concedeu uma das melhores entrevistas coletivas de sua vida.

Respondendo sobre seu período no Rainbow (1975-1979), investiu contra o guitarrista Ritchie Blackmore, afirmando que ele era um “vampiro”, que sugava a alma das pessoas, e que saiu da banda porque o guitarrista queria mudar d estilo e que Dio cantasse músicas de amor. Eu não canto músicas de amor”, fulminou o geralmente gentil e afável vocalista.

Dio repisava um dos tabus que ainda persistiam em 1992 no mundo do heavy metal e demorariam para ser torpedeados -cantar o amor com sensibilidade e menos agressividade, como Ozzy Osbourne fazia desde a década anterior e como Judas Priest estava se aventurando neste campo na época.

As canções de amor romperam as barreiras preconceituosas na música pesada graças a dois cantores fabulosos que tocaram juntos no Deep Purple e que ensinaram os roqueiros mais pesados a admirar as músicas mais sensíveis.

Os ingleses David Coverdale e Glenn Hughes não foram os primeiros a fazer músicas românticas no rock pesado – Robert Plant fazia isso antes no Led Zeppelin -, mas foram os que não tiveram med em produzir baladas para ouvidos pouco amistosos a temas de amor.

“Mistreated, possivelmente a música pesada mais brega de todos os tempos, é um imenso sucesso do Deep Purple e consegue amolecer até hoje corações metaleiros nas vozes de Covedale, Hughes e,. pasmem, na de Ronnie James Dio. É um dos maiores blues já compostos.

Também são do Deep Purple, com participação d Hughes e Coverdale, clássicos como “This Time Around”, “Holy Mman” e “Keep On Moving” (embora essa última seja uma balada, não é necessariamente de amor mas sua dramaticidade suscita sentimentos parecidos).

Com o Whitesbnake, Coverdale mergulhou de vez na música românntica travestida de blues e hard rock quase todas as composições da banda têm a palavra love” no título….

Hugjhes também recheou sua carreira solo com uinúmeras cabnções de amor, e consehuiu convencer Tony Ioomi, o guitarrista do BBlack Sabbath, a inserir uma balada romântica no disco da banda em que foi o vocalista, “Seventh Star” (1986). A música era “No Stranger to Love”, meganrega, com um clipe igualmente brega;

Foi graças aos dois ingleses que o hard rock californiano perdeu a vergonha de falar de amor com a chegada de Quiet Riot, Twisted Sister, Motley Crcue, Dokken, Cinderella, Ratt e até o Saxon adotaram a palavra love sem puder e sem moderação.

Entre as bandas de heavy metal, o Metallica foi mais sutil ao preferir metáforas e analogias, enquanto o Iron Maiden experimentou apenas uma vez inserir “love em um título – “Wasting Love”.

Se Coverdale é mais explícito e aberto ao falar de amor,sem a menor vergonha, Hughes é mais discreto e sofisticado p em uma analogia bem tasteira, em termos de lirismo, a correspondência poderia ser, respcetivamente, Wando e Chico Buarque (com um pouco de exagero).

A dupla fez história tocando junta no Deep Purple, mas fizeram coisas maravilhosas com Whitesnake e em carreiras solos. Os seis primeiros álbuns da banda e os seis primeiros discos solo de Hughes são altamente recomendáveis.

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