Como o álbum ‘Café Bleu’, de Style Council, estabeleceu Paul Weller como genio

A chegada ao mercado da nova versão de “café Bleu”, da banda Style Council, está resgatando uma série de informações qu demonstram o grande impacto que teve, chocando público e crítica musical. Como é que um ícone punk e mod ousa mudar e se dedicar `s canções pop sofisticadas embaladas por doss generosas de jazz, soul music e bossa nova?

Paul Weller, guitarrista e vocalista, liderou por sete nos o trio The Jam, uma das bandas mais importante da história, que era punk sem ser punk, mas com o DNA do movimento mod inglês dos anos 60.

Quando o movimento pun começou a perder fôlego, a partir de 1979, Weller já elaborava os próximos passos da carreira e previa pra breve o fim de The Jam, que ocorreu no final de 1982. O que ninguém esperava era que o prolífico e demolidor compositor roqueiro optasse por gêneros tão distintos e se revelasse um dos grandes compositor pop do nosso tempo.

Ao lado do tecladista e ocasionalmente baterista Mick Taçbot, construiu o Style Council para fundir pop, blues, jazz, soul, bossa nova e world music de uma forma nunca vista. Ninguém entendeu nada.

Tal estranheza foi relatada mais de 40 anos depois em, reportagem legal da revista inglesa “Uncut”, pulicada nas versões impressa e no site. é um texto de apresentação da nova versão de “Café Bleu”, de 1984, que retorna em caixa com quatro CDs com material remixado, remasterizado e muito material extra.

É o início das celebrações dos 40 anos do Style Council – um pouco atrasado, mas está valendo. o álbum é uam da obras primordiais do pop inglês e praticamente inaugurou um onda musical denominada “new bossa”, que englobava ainda artistas como Matt Bianco, Cocteau Twins, Everything But the Girl, Fine Young Cannibals e outras bandas legais.

A saborosa história contada pela “Uncut” sobre o impacto imenso que a mudança de Paul Weller causou no público, especialmente no mundo de The Jam. É uma história d coragem e resiliência, que legou trabalhos extraordinários e transformou definitivamente Weller em um dos mais geniais compositores d rock e do pop.

Protestos e vaias

Ele e sua nova banda, The Style Council, estavam tocando no Goldiggers em Chippenham, Wiltshire, em março de 1984, apresentando faixas do próximo álbum Cafe Bleu para uma plateia cada vez mais inquieta.

“Preciso de silêncio absoluto para esta música”, insiste Weller, antes de uma bossa nova chamada “The Whole Point of No Return”. A multidão começa a assobiar quando a cantora da banda Dee C Lee entra para cantar “Paris Match” e, enquanto a banda toca músicas acústicas discretas inspiradas, entre outros, por Antonio Carlos Jobim, Michel Legrand e Erik Satie,

É possível ouvir partes da plateia cantando com entusiasmo um trecho do filme Quadrophenia: “Nós somos os Mods, nós somos os Mods/Nós somos, nós somos, nós somos os Mods!”

Mp texto d “uncut”: “Como Flaubert escreveu certa vez: dentro de cada revolucionário há um policial. Apenas alguns anos antes, Weller era o rei provocador dos Mods, e agora ali estava ele, pedindo a seus discípulos barulhentos, vestidos com calças Fred Perry e mocassins Bass, que se acalmassem enquanto os apresentava às canções francesas e valsas de jazz. Lembro-me de Tracey Thorn e Ben Watt, da banda Everything But the Girl, recebendo um telefonema de Weller em janeiro de 1983, convidando-os para uma apresentação com ele no ICA. “Na época, foi como receber um telefonema de, sei lá, David Lee Roth”, disse Thorn. “Eu adorava o The Jam e idolatrava o Paul, mas fiquei impressionada que ele quisesse que subíssemos ao palco para cantar ‘Garota de Ipanema’ com ele.”

Uma trajetória instigante

No início da década de 1980, Weller era tão famoso quanto qualquer estrela pop britânica desde os Beatles. O The Jam entrava regularmente nas paradas de singles e álbuns em primeiro lugar.

As lojas de discos abriam à meia-noite para vender seus álbuns. Um milhão de pessoas se inscreveram para os ingressos de sua última turnê. Muito antes do circuito de arenas se consolidar, os promotores de turnês precisavam improvisar ginásios e piscinas para receber shows do The Jam.

Mas Weller claramente havia ultrapassado os limites de um trio de rock. Os fãs de pop britânico se familiarizaram com lendas do punk e do pós-punk formando novos projetos – PiL, Fun Boy Three, Big Audio Dynamite, General Public, Fine Young Cannibals, That Petrol Emotion, The Creatures e outros – mas poucos tinham uma proposta tão controversa quanto a do The Style Council.

Weller queria buscar um “modernismo” autêntico e assumidamente anti-rock. Unindo-se ao pianista Mick Talbot – um Mod com ideias semelhantes, vindo dos subúrbios do sul de Londres – ele queria explorar R&B, funk, jazz, new pop, exotismo eurocêntrico e as novas vertentes da música eletrônica que surgiam nas casas noturnas londrinas.

O Style Council seria um coletivo flexível e modular, com uma formação rotativa de músicos convidados (nos cerca de sete anos de atividade da banda, contaram com mais de 100 “Conselheiros Honorários”, quase o dobro do número de membros que Mark E. Smith teve em 42 anos).

Surpresa para o público

Em entrevista à revista “Uncut”, Mick Talbot lembra que Weller inicialmente não queria lançar álbuns, preferindo singles e EPs concisos, mas o Style Council mostrou-se tão promissor em seus primeiros meses que a Polydor lançou um mini-LP com seus primeiros singles e lados B em junho de 1983 – “Introducing The Style Council” – mas apenas na América do Norte, Austrália e Japão (inevitavelmente, as importações holandesas chegaram ao mercado do Reino Unido).

Uma das boas novas da versão mais recente de “Café Bleu” é um CD trazendo uma edição estendida 16 faixas de “Introducing…” é o primeiro dos seis discos deste impressionante box set.

A coletânea apresenta uma enxurrada de singles iniciais – a alegre e moderna “Speak Like A Child”, a com influências da Motown “A Solid Bond In Your Heart”, a balada eletro ensolarada “Long Hot Summer”, a animada “Money Go Round” e a vibrante “My Ever Changing Moods” (o maior sucesso de Weller nos EUA).

Ainda parece surpreendente que algumas das outras faixas dessa época, como a balada folk “Spring Summer Autumn” e a gospel “It Just Came To Pieces In My Hands”, tenham sido descartadas como meros lados B. Artistas menos talentosos poderiam ter construído carreiras inteiras em torno de canções tão boas.

Em março de 1984, o Style Council já tinha material suficiente para um extenso álbum duplo com vários temas – Weller idealizou quatro lados compartimentados –, mas a Polydor insistiu em um único LP. É por isso que “Cafe Bleu” se apresenta como uma coletânea de ideias díspares.

Uma refeição composta por aperitivos. Weller é um vocalista relutante: das sete faixas do primeiro lado, ele canta apenas duas, ao lado de um solo de piano gospel, um instrumental de R&B no estilo de Booker T., uma paródia de Art Blakey, uma balada romântica e melancólica em 6/8 cantada por Tracey Thorn e outro instrumental onde Weller toca um solo de guitarra sobre uma base de cordas de Mantovani. Mérito para os antigos fãs do The Jam que curtiram tudo isso.

“Cafe Bleu” alcançou um público muito maior do que Jam, permanecendo nas paradas por 38 semanas e conquistando um público bem diferente: garotas adolescentes, fãs de soul sofisticados, o tipo de hipster urbano que comprava coletâneas da StreetSounds.

O álbum contém algumas das melhores músicas de Weller. “Here’s One That Got Away” é uma alegre de jazz cigano vibrante, com Bobby Valentino fornecendo o mesmo tipo de riff de violino matador que ele mais tarde compôs para “Young at Heart” dos Bluebells.

“You’re The Best Thing” é uma peça de R&B de vanguarda que confirmou o status de Weller como o príncipe herdeiro do soul de olhos azuis. “Headstart For Happiness” é o tipo de soul inspirador com influências gospel que deixaria os Isley Brothers orgulhosos.

Este pacote gigantesco também inclui demos e muitas ideias de músicas inacabadas, mas promissoras: “Up For Grabs”, “Take It to the Top”, “Come Away with Me” e “Mick’s Demo” apresentam Weller cantando sem palavras sobre intrigantes mudanças de acordes.

Há dois discos de gravações ao vivo e sessões de rádio: em muitos lançamentos “expandidos”, estes podem soar muito semelhantes às versões de álbum, mas certamente não é o caso aqui.

Todas as versões de singles, faixas de LPs e lados B da época soam únicas – arranjos, tempos, harmonias vocais e até mesmo compassos completamente diferentes – o que demonstra a adaptabilidade das composições de Wellerr.

Ainda tem gente que fica insistindo em pedir provas da genialidade do canto e guitarrista como compositor. “Cafpe Bleu” , a prova está em “Café Bleu”, caso as obras de Thr Jam e solos como “Heavy Soul” e “Stanley Road não seam suficientes.

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