Corajoso e inovador, David Bowie chamou a morte para dançar e ficou aind maior

David Bowie (Foto: divulgação)

Um artista generoso que sabia o seu tamanho e tinha o dom de abrir espaços e criar ambientes onde todo mundo tinha espaço para, a seu modo, brilhar. Era dessa forma emocionante e comovente que a baixista e canora americana Gail Ann Dorsey se lembra de Davis Bowie, com quem trabalhou por anos.

É mais uma grande artista a realçar uma das maiores características do cantor britânico morto há dez anos, o monstro que não se contentava em se apenas um – Bowie foi Ziggy, Thin White Duke, o mod, o jovem americano o gélido “alemão” de sua fase berlinense…

Foi ainda cantor de hard rock e experimental ao extremo, ao ponto de transformar a própria morte em obra de arte – o seu álbum “Blackstar”, de 2016, lançado dias antes de sua morte, é sensacional.

Enigmático, criativo, inovador apaixonado pela arte, era parceiro dos mais requisitados para colaborações e quase nunca recusava uma ideia que parecesse estranha. Compunha para amigos ee bandas de que gostava, como no caso do Mott he Hoople.

Quando a parceria era de peso, brilhava e sabia dividir espaços, daí a fama de generoso – respeitava e reverenciava guitarristas com quem trabalhou, gente como P Frampton, Reeves Gabrels, Adrian Belew, Robert Fripp (King Crimson) e Pete Townshend (The Whjo).

Nos duetos em palcos e clipes Bowie crescia, mas jamais ao ponto de ofuscar os parceiros, como os gigantes Mick Jagger (Rolling Stones), Freddie Mercury (Queen) e David Gilmour (Pink Floyd). Nos anos 70, soube contornar restas e dividiu a cena com John Lennon, Jeff Beck, Lou Reed e Iggy Pop.

Já astro de primeira grandeza, não hesitou em tentar ser apenas mais um em uma banda de rock em 1989. O Tin Machine era uma tentativa de voltar ao som mais básico e cru, mas não tinha jeito: ele era Davis Bowie e aquela era a sua banda. Por mais que tebtass, costumava ser maior do que ele mesmo.

São dez anos sem um artista que teve a capacidade de fazer da agonia do fim de sua vida um elemento crucial de seu processo criativo – um caminho melancólico e doloroso, ms profundamente autêntio e sensível. Não sobrou nenhum, artista remotamente parecido como ele.

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