Crescdimento do Capital Moto Week é uma boa notícia

Guitarra de Pat Metheny (foto? divulgação)

Parecia improvável e impossível que uma ampla reuni]ao de clubes de motociclistas ocorresse no Brasil em festivais ou mesmo meros encontros para discussões em comum. As dimensões continentais do país e os interesses regionais e particulares divergentes entre as entidades desestimulavam a iniciativa.

O Capital Moto Week derrubou o pessimismo e provou que era possível unir o rock e a cultura de duas rodas no Brasil, sendo Brasília o ponto nevrálgico da reunião dos “motoqueiros”.

A ideia era oferecer rock nacional e muita informação técnica sobre as motos, mas aos poucos nomes internacionais começam a chegar para dar uma conotação mundial ao evento, que se tornou importante, cresceu e rivaliza com festivais no Brasil de porte, como Abril Pro Rock, Porão Rock e Festival Atlântida, além do João Rock.

A consolidação do Capital Moto Week é uma ótima notícia porque abre as portas para um outro tipo de evento, que inclusive abrange um público diferente de rock e de entretenimento, mais endinheirado ( na maior parte dos espectadores) e politicamente mais conservador, embora não nevessariamente engajado e ativista.

O preconceito ainda existe por parte de um mundo progressista pouco disposto a tolerar certas associações dos motoqueiros dos clubes, aqueles mais abastados que usam veículos bem caros, com o agronegócio e uma certa burguesia comercial das cidades pequenas e médias de interior, justamente um público conservador.

O preconceito não é de todo infundado, dado que uma parcela desses público motoriado tem mais de 45 anos, tolera pouco novidades musicais e adora ouvir os mesmos rocks clássicos de sempre, com predileção por Deep Purple e Lynyrd Skynyrd, além dos onipresentes Rolling Stones. Por isso a banda escocesa Nazareth, com quase 60 anos de carreira, agradou bastante na edição deste ano.

Se não esperarmos nada mais dessa gente do que muita cerveja e um certo comodismo na hora de curtir um som, o crescimento do festival é uma boa notícia e sinaliza que o rock ainda tem força para mobilizar certos públicos antes deslocados por falta de opções mais específicas.

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