Distraught prega a valorização do músico para resgatar cenas alternativas

Distraught (Foto: divulgação)

A tecnologia avançou muito, mas não a ponto de resolver questões fundamentais para o estabelecimento de uma cena alternativa integrada no rock ou no heavy metal. A logística incrível que pareça, está tão ou mais difícil no país do que há 30 ou 40 anos

Estamos com novo trabalho em divulgação, m os custos d sair em turnê no Rio Grande do Sul e por outros Estados cresceram e reduziram as possibilidades. Está cada vez mais desafiador atuar no underground, principalmente depois da pandemia de covid-19”, afirma o guitarrista Ricardo Silveira, da banda gaúcha Distraught, um dos pilares do metal gaúcho.

Com 36 anos de existência e um punhado de álbuns relevantes no rock pesado nacional, o grupo nem pensa em parar por conta das dificuldades, mas Silveira é sereno e ao analisar os problemas que o rock fora das principais plataformas enfrenta.

Segundo lelé, o mundo virtual trouxe facilidades e barateamento de estruturas em alguns pontos, mas não apresentou alternativas viáveis de remuneração a ponto de permitir a proliferação e a evolução de cenas que ofereçam a troca de experiências mais afinadas e amplas.

“Nunca ocamos em grandes festivais no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Faz tempo que não tocamos em ouros Estados. Viajar para tocar e gravar em outros lugares se tornou um luxo para quem trabalha no underground”, observa.

A contradição entre shows internacionais com ingressos caros lotados e a dificuldade em estabelecer cenas locais não o aflige, pois entende que é uma condição que existe há muito tempo.

“A questão é viabilizar situações em que promotores de shows vislumbrem uma possibilidade de remuneração. Hoje os pequenos promotores não arriscam tanto porque não têm a certeza de que colocarão 3o00 pessoas em um pub. E vejo que isso ocorre em todo o Brasil e até com outros gêneros”, diz o músico.

É meio desanimador, mas não o suficiente para jogar a9 a toalha. Com o novo EP, a Distraughjt quer retomar a tradição de gravar e lançar um videoclipe registrado dentro do estúdio para cada canção que compuserem. A perspectiva é de que isso ocorra no semestre, assim como uma agenda mínima de shows.

P EP “inVolution” é conceitual e representa uma nova fase na carreira longa da Distraught. Mais introspectivo e muito pesado, é metal extremo de qualidade, com doses equilibradas de violência e agressividade. Como trabalho conceitual baseado nas turbulências da vida moderna, fez com que as banda se concentrasse em arranjos mais bem elaborados e em estruturas melódicas mais complexas. Acertram na decisão.

Pancadaria sonora

O baterista Thiago Caurio disponibilizou no YouTube um minidocumentário dividido em duas partes, revelando em detalhes todo o processo de gravação de bateria e percussões do lançamento.

Gravados no Black Stork Studio, em Porto Alegre, os vídeos mostram desde a captação das quatro faixas principais até a construção de camadas adicionais de percussão, além de momentos espontâneos que acabaram se transformando em elementos fundamentais do EP.

Segundo Thiago Caurio, o material reflete não apenas a execução técnica, mas também a diversidade de influências que contribuíram para o resultado final:

“Sempre toquei vários estilos diferentes. Já acompanhei muitos artistas, tive uma banda de Prog Metal na adolescência e hoje também tenho uma banda instrumental. Ao longo do tempo, fui ouvindo, produzindo e tocando muita coisa — gosto muito de música brasileira, percussão e fusion…”

O músico também destaca o caráter coletivo da criação do EP:

“Trouxe um pouco dessa vivência para o InVolution, mas sempre respeitando a essência do Thrash Metal da banda, algo que também faz parte da minha trajetória.”

Lançado em 13 de julho de 2025, inVolution marca mais um capítulo contundente na trajetória da Distraught. Com cinco faixas — “Bloody Mines”, “Extermination Of Mother Nature”, “Aether”, “Truth Denied” e “Setfire” —, o trabalho apresenta um conceito sólido em que cada música representa um dos elementos da natureza (Terra, Água, Ar, Fogo e Éter).

O EP funciona como um manifesto contra a degradação ambiental e a regressão moral da humanidade. Com sonoridade agressiva e letras diretas, a banda aborda temas como ganância, negacionismo e colapso social.

Gravado em Porto Alegre/RS, o EP teve guitarras, baixo e vocais registrados por Renato Osorio no Dry House Studio. A mixagem ficou a cargo de Benhur Lima, garantindo peso e clareza à sonoridade. A arte da capa é assinada por Marcelo Vasco, conhecido por trabalhos com Slayer, Kreator e Machine Head.

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