Do punk ao pop, U2 chega aos 50 anos como instituição lém da música

U2 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Santo ou mito? Se Bono pudesse escolher, talvez fosse a segunda opção, com direito a estátua no bairro onde nasceu, em Dublin, n Irlanda. Foi dessa maneira dissimulada que insinuou querer eternidade ao responder a uma pergunta em entrevista na Inglaterra aos atrás.

Ele mira dois de seus heróis, os conterrâneos Phil Lybott (1949-1986), baixista e vocalista do Thin Lizzy, e o guitarrista Rory Gallagher (1948-1995), que ganharam monumentos em suas cidades.

Ativista engajado em causas socioeconômicas. O vocalista parece tr abandonado outro o sonho, o prêmio Nobel da Paz, e finalmente voltou os olhos para a banda novamente no ano em que o quarto completa 50 anos de existência ininterrupta – e com a mesma formação original.

Em meio a uma apatia melancólica e mergulhado em reflexões existenciais, o U2 se ressente de falta de contundência nos dois trabalhos recentes lançados no primeiro trimestre – foram os EPs “Days of Ash” e “Easter Lily”, com 11 canções inéditas depois de quase uma década de silêncio.

Na busca pela relevância perdida em algum lugar deste século, os músicos irlandeses relutam em vasculhar o passado para encontrar algum tipo de luz ou inspiração contra a apatia e uma certa resignação.

O comodismo do rock clássico e as montanhas de dinheiro finalmente contaminaram a banda punk de garotos formada em uma minúscula cozinha em um bairro simples de Dublin 50 anos atrás.

É uma apatia que contrasta com o passado de luta e e atrevimento, quando o quarteto era aguerrido e estava na linha de frente das inovações do rock, seja no pós-punk oitentista ou na fase eletrônica e pop dos anos 90.

Em termos d mercado, o U2 se tornou uma das maiores corporações do rock de todos os tempos, ao lado de Rplling Stones, Pearl Jam, Coldplay, AC/DC, Metallica e Iron Maiden. É banda mais importante da história d Irlanda.

De inspiração punk, o U2 passou pelo pós-punk, flertou com a new wave e o hard rock até encontrar a sua sonoridade no maravilhoso disco “The Unnforgettable Fire”, de 1964, que catapultou o grupo ao estrelato.

Foi na cozinha da casa da família Mullen que o grupo surgiu em setembro de 1976. O baterista Larry Mullen Jr chamou alguns amigos de escola que tocavam alguma coisa e explicou os seus planos. Era meu projeto, mas fui o líder por penas cinco minutos. Quando Paul (Bono) abriu a boca para falar, ele tomou conta de tudo”, contou o baterista m, um dos livros sobre do U2.

A banda era de moleques contaggiados pelo punk e pela ferocidade política dos tempos duros de conflitos religiosos e e nacionalistas entre os partidários do grupo IRA (Exército Republicano Irlandês) e o governo do Reino Unido – a questão mal resolvida da Irlanda do Norte.

A veia punk dos dois primeiros discos, “Boy” (1980) e “October” (1981) deu lugar a um hard pop mais consistente e politizado em “War (1983) até a explosão mundial com “The Unforgettble Fire” em 1984 e a consagração na apresentação bombástica no “Live Aid” em 1985.

Corajosos para mudar a direção da carreira, encararam a fase conceitual com dois discos onde fizeram uma imersão profunda na cultura americana em “The Joshua Tree” (1987) e “Rattle and Hum” (1988) antes da aventura pop eletrônica dos anos 90.

Com a conquista do mundo a partir de “Achtung Baby”, de 1991, o U2 ficou gigante popular além da conta.

O ativismo político deu ugar ao puro entretenimento e o grupo abdicou da contundência sonora e da relevância. Passou a se repetir nos anos 2000 e nunca mais chamou a atenção por lançar um grande disco. “Songs of Innocence” até raspou na recuperação, mas foi uma miragem.

Aos 60 anos sem mudar de formação, o U2 resiste e se recusa a esmorecer, mas o comodismo do rock clássico está prostrando a banda e comprometendo as celebrações do cinquentenário.

Talvez não reste alternativa a não ser olhar para o passado longínquo e resgatar a verve política que impulsionou os moleques em uma cozinha modesta em um bairro simplório de Dublin, na Irlanda.

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