O ano de 1966 foi a consolidação da careira de Frank Zappa como artista importante da cena musical americana underground. Sua música conceitual e alternativa começou a expandir seus territórios para além dos circuitos universitários e emissoras de rádio menores e atingiu um público mais amplo.
O LP duplo “Freak Out” ajudou bastante nesta divulgação – o primeiro álbum duplo da história -, revelando um artista multifacetado que misturava música, tetro e poesia de forma anárquica e, ao mesmo tempo, com bastante logica e método.
9Inteligente, culto e bem informado, Zappa foi o primeiro intelectual do rock. Abordava temas diversos e espinhosos com muita ironia e sarcasmo e não medi as consequências. Ao abraçar a contracultura, não se importava em ser rotulado como “artista de esquerda, já que acreditava mesmo em questões coo igualdade social e redução dos níveis de pobreza.
Como músico e compositor, no entanto, apres9entava um rigor metódico impressionante para um artista tido com “anárquico e maluco”.
Uma nova série de gravações que começa a ser lançada agora joga luz neste aspecto da carreira do guitarrista, o trabalho de ourivesaria em estúdio, seja em canções originais ou mesmo em jams sessions e apresentações ao vivo dentro das cápsulas de “captação de emoções”, como gostava e dizer.
A Vaulternative Records, selo de arquivo de Frank Zappa, foi lançada em 2002 pela família do falecido artista para apresentar uma variedade de raridades fascinantes de seu volumoso arquivo. Agora, após um hiato de quase uma década, a Vaulternative retorna da Zappa Records e da UMe para continuar preservando o lado experimental da obra de Zappa.
Dezesseis das dezessete faixas de “Zappa ’66: Vol. 1: Live at TTG Studios” são inéditas em qualquer formato. O lançamento documenta o jovem músico em uma sessão de outubro de 1966 no estúdio de Hollywood, apenas alguns meses após o lançamento do álbum de estreia do The Mothers of Invention, Freak Out!, pela Verve Records. O novo lançamento foi produzido, restaurado e montado por “Vaultmeister” Joe Travers e masterizadopor John Polito a partir das fitas master originais de 1/4 de polegada gravadas no sistema de fita de rolo de Zappa. Trechos de entrevistas de rádio de 1966 também foram incluídos.
Zappa ’66 narra, em formato de áudio, uma produção televisiva concebida como “Sex in the ‘60s” e exibida posteriormente como Sex in Today’s World.
Os produtores do programa convidaram Zappa e The Mothers para uma experiência experimental com música, dança e o que hoje seria considerado performance artística, tendo como pano de fundo iluminação especial e máquinas de fumaça.
O TTG Studios era o mesmo local onde Zappa, The Mothers e o produtor Tom Wilson haviam gravado Freak Out! pouco tempo antes. O cenário fluido era imprevisível até mesmo para os padrões do jovem Zappa, e ele fez questão de capturar o áudio em seu gravador de fita de rolo.
É a única gravação conhecida da banda com o guitarrista Del Casher e também a primeira aparição gravada do percussionista Billy Mundi e do tecladista Don Preston com The Mothers. Ray Collins (vocal/pandeiro), Roy Estrada (baixo) e Jimmy Carl Black (bateria/percussão) completam a formação.
Embora o som seja familiar para os fãs de “Freak Out”, o show não foi tão estruturado quanto o álbum, alternando entre seções estruturadas, improvisações e experimentos que variam do R&B à vanguarda. Zappa, é claro, desenvolveria posteriormente o vocabulário musical explorado aqui em sua famosa e diversificada discografia.