Jimi Hendrix e Cream: o terremoto da novidade e do peso completa 60 anos

Jimi Hendrix (FOTO: DIVULGAÇÃO_

O ano de 1966 está sendo celebrado pelos aniversários e ao menos duas obras fantásticas d rock, “Revolver, dos Beatles, e “Pet Sounds”, dos Beach Boys, mas precisa ser lembrando principalmente por ter sido o epicentro de dois terremotos que mudaram o rock, especialmente na cidade de Londres: a criação trio Cream e chegada ao Reino Unido do guitarrista americano Jimmy Hendrix, logo rebatizado Jimi.

Os dois fatos costumam ser relacionados o surgimento do rock pesado, mais tarde associado à gênese do heavy netal, que apareceria mais formatado anos depois com o Black Sabbath.

Não pode ser coincidência queos dois fatos tenham ocorrido ao mesmo tempo, simultaneamente, na mesma cidade, e quase com o mesmo propósito – transformar o blues em música poderosa, com fúria, energia e inovação. Se o rock caminhava para a psicodelia e o progressivo por u lado, por outro lado tinha um senso de urgência e agressividade qu requeria que o blues ficasse mais denso, intenso e agressivo. E coube a dois gênios da guitarra fazerem isso com maestria.

Hendrix estava sendo convencido a trocar Nova York por Londres naquele começo de segundo semestre de 1966 quando o guitarrista Eric Clapton comunicou o pianista John Mayall que estava fora dos Bluesbreakers para montar a sua própria banda. Enfurecido, mas resignado, Mayall nada falou e viu o prodígio da guitarra se bandear para o rock.

Clapton era o “deus d guitarra”, segundo as pichações nos muros de Londres e já tinha passado pelos Yardbirds. Quando a notícia de u estava se juntando a Jack Bruce (baixo e vocais) e ginger Baker (bateria), foi como se uma bomba atômica tivesse caído na cidade. Imediatamente surgiu o ermo “supergrupo”, provavelmente as páginas d New Musical Express.

Bruce e Baker tinham tocado juntos na Graham Bond Organisation e se odiavam, mas Clapton os convenceu de que um trio de blues pesado seria uma grande novidade que sacudiria a cena pop inglesa.

Capa do último álbum do Cream

Tinha razão e o Cream foi um sucesso, mas que durou apenas dois anos – implodiu em 1968 devido a desavenças internas e “esgotamento criativo”, na palavra de Clapton. Em Nova York, Jimmy James vivia às turras com o patrão, o cantor e pianista Little Richard, então um astro decadente da década anterior e ainda aferrado ao rockabilly. Odiava o jeito de tocar do guitarrista.

Deixou Richard no final de 1965 e partiu para a carreira solo. Reuniu uma banda de qualidade e fez boa reputação na Costa Leste, mas não obteve um contrato de gravação; Estranhamente, ninguém reconheceu seu imenso talento.

Foi preciso um baixista inglês que começava a carreira de empresário para dar o impulso que faltava para Jimmy James. Chas Chandler tocara baixo nos Animals e tinha vasta experiência no selvagem mercado britânico. Estava de passagem por Nova York quando a esposa o alertou p ara o grandalhão negro tirando um som maravilhoso em um bar.

Magnetizado, foi fisgado pelo carisma do músico e passou meses tentando convencer o guitarrista a se mudar para Londres.

Quando conseguiu, transformou Jimmy James em Jimi Hendrix e tratou logo de arrumar uma ocasião para apresentar o novo contratado aos amigos, como Eric Clapton e Pete Townshend.r

Com o guitarrista Noel Rdding o baixo e o baterista explosivo Mitch Mitchel na bateria, Hendrix mostrou que er de outro planeta. A lenda diz que Townshend entrou em pânico e virou para Clapton: esse cara vai roubar nossos emprego”.

Empolgado com a repercussão, Chas Chandlre colocou a banda Jimi Hendrix Experience no estúdio para gravar “Hey Joe” e “Purple Haze”, dois singles pesados e lastreados em uma guitarra inovadora e peculiar . Era a ascensão de um foguete imparável que nem mesmo a morte do músico, em 1970, conseguiu frear. Assim como Miles Davis, Jimi não era desse planeta.

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