Joe Bonamassa brilha em magistral tributo a Rory Gallagher

Não artista mas grato no mundo do entretenimento na atualidade do que o guitarrista norte-americano Joe Bonamassa, o nome mais estrelado do blues no mundo. A quantidade de tributos e homenagens que prestou em 26 anos de carreira solo, impressiona a performance tanto em qualidade como em quantidade.

O nerd da guitarra já gravou canções de ícones como Jethro Tull, Yes, Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Jeff Beck, Jimmy Page, Eric Clapton e B.B. King, entre outros. No ano passado, Bonamassa produziu um especial sobre o centenário de B;B. King com 32 canções em um álbum duplo.

O alvo da vez agora em 2026 é o mestre da guitarra blues Rory Gallagher (1949-1995), instrumentista mágico nascido na Irlanda e reverenciado pelo mundo do rock. No ano passado, produziu uma apresentação que marcou os 30 anos da morte de Gallagher na cidade natal do irlandês, em Cork, decidiu lançar o áudio e o vídeo do evento. É um dos lançamentos mais esperados deste ano.

O resultado desses shows, intitulado “The Spirit of Rory Gallagher Live from Cork”. Quatorze de suas músicas mais populares (Gallagher nunca teve sucessos que chegaram ao topo das paradas de rádio) foram selecionadas a partir da dúzia de álbuns de estúdio lançados pelo ícone em seu próprio nome (há quase o dobro de coletâneas ao vivo).

Bonamassa publicou faixas de suas primeiras gravações solo, recriando “Bullfrog Blues” e “Messin’ With the Kid” — dois clássicos do blues que Gallagher ajudou, ajudando a consolidá-lo como um dos artistas mais explosivos e intensos do Reino Unido.

A performance reflete essa dedicação. Ele trouxe uma banda de apoio composta por quatro músicos — baixo, bateria, teclados (a carga de Lachy Doley, que se juntou regularmente à equipe de turnê de JB em 2026) e guitarra base (Gallagher nunca teve um segundo guitarrista) — para encorpar a sonoridade.

Os restos permanecem fiéis às gravações originais de Gallagher, sendo as mudanças mais significativas os solos de Bonamassa e a tendência de expandir as músicas para o formato ao vivo. A balada agrícola “I Fall Apart” — uma das melodias mais doces do guitarrista — ganha corpo, passando de 5 minutos para o dobro dessa duração. É um dos momentos mais poderosos do repertório, transitando de um início suave e delicado para um encerramento marcado por uma torrente impetuosa de notas em redemoinho.

Muitas das faixas são rocks energéticos, começando logicamente com “Cradle Rock” e seguindo com destaques da carreira de Gallagher, como “Calling Card”, “Walk on Hot Coals” e uma versão frenética de “Bullfrog Blues”.

O clima fica mais leve com “As the Crow Flies”, de Tony Joe White, tocada no violão ressonador National Triolian de 1930 de Rory — o único momento acústico do show e a interpretação vocal mais emotiva de Bonamassa.

Ele utiliza a técnica de slide na faixa de sonoridade pantanosa “Back on My Old Stompin’ Ground” e incorpora palmas da plateia no *blues* lento e pulsante de Muddy Waters, “I Wonder Who”. Nessa música, Doley brilha com um solo de órgão arrebatador, demonstrando por que Bonamassa o contratou posteriormente.

“The Spirit of Rory Live from Cork” — não apenas para demonstrar sua admiração pelo talento de Gallagher, mas também para apresentar ao seu vasto público global as canções, a execução intensa e a importância histórica da lenda irlandesa.

Esses aspectos são apenas abordados aqui, através de uma seleção criteriosa do catálogo diversificado e empolgante de Gallagher, que permanece atemporal em sua qualidade, classe e intensidade.

Compartilhe...