Judas Priest celebra 35 anos de ‘Painkiller’, que quase arruini a banda

 Não são raros s casos em que o melhor disco de um artista signifique, direta ou indiretamente, o fim – ou quase – de uma carreira. Como isso pode ser possível? Aconteceu com os americanos do “Husker Dü, com “Candy Apple Grey”, em 1986, e com os ingleses de The Clash, quatro anos antes, com o maravilhoso “Combat Rock”.

No heavy metal, o exemplo mais gritante é “Painkiller”, do Judas Priest, que completou recentemente 35 anos de seu lançamento e provocou um tumulto tão grande que incluiu a saída, meses depois, do vocalista Rob Halford, que estava na banda havia 18 anos. Só retornaria 12 anos depois.

O álbum em si nada teve a ver com a decisão do vocalista – decisão que quase acabou com o pioneiro do heavy inglês na época. A questão é que o álbum é tão bom e que fez tanto sucesso que por pouco não impediu a debandada de Halford. Como era possível sair da banda depois de um trabalho tão bom e bem-sucedido?

O cantor balançou, mas acabou saindo ao constatar o clima bem ruim dentro da banda depois que comunicara a intenção de cair fora para uma carreira solo arriscada. E isso aconteceu pouco tempo depois do show do Rock in Rio II no comecinho de 1991.

“Painkiller” foi a redenção do Judas Priest após dois discos com produção cheia de excessos, americanizada e com instrumentos saturados. “Turbo” e “Ram It Down” não caíram no gosto  dos fãs e contribuíram para que Rob Halford decidisse sair – só que o cantor não contava que se transformaria em uma obra-prima.

O álbum era metal tradicional puro com uma timbragem de guitarra única e limpa, realçando uma modernidade que revigorou o chamado mtal tradicional.

Tanto o Judas quanto o Iron Maiden finalmente abandonariam as guitarras sintetizadas e voltaram ao básico, com o peso da distorção bastando para enlouquecer os fãs sem a necessidade de recursos extras eletrônicos.

A faixa-título é uma das coisas mais agressivas e violentas que o rock já criou, com um a interpretação tão forte de Halford que uma legião dde imitadores surgiu logo em seguida. Até o violentíssimo e profano Slayer foi impactado. A canção é um dos sunônimos de heavy metal.

E o álbum ainda tem “All Gunz Blazing”, uma aula de composição pesada para guitarras fêmeas – K.k. Downing e Glen Tipton se redimem dos barulhos antes adicionados e brincam de fazer metal, com suas escolhas certeiras de timbres.

O baixo de Ian Hill, tão gordo e grandioso, toma conta de tudo. A bateria marcial do então novato Scott Travis faz o arremate de mais uma música fenomenal.

A monstruosidade do disco fica patente com mais dois hinos: “Metal Meltdown”, com seu riffs históricos e seus solos iniciais icônicos – mára não flar dos vocais impossíveis; e “A Touch of Evil”, um clássico dos clássicos, apavorante e assustadora em todos os sentidos, principalmente em relação ao seu riff principal.

Se o Judas Priest se recuperou de dois álbuns medianos com esse disco monumental, entrou em colapso com a saída de Rob Halford e com a imensa dificuldade de produzir algo no mínimo tão bom quanto “Painkiller”. Era uma tarefa quase impossível.

Foi a década perdida para a banda, que passou os anos 90 buscando um caminho. Em 1996 tinha decidido pelo cantor alemão Ralf Scheepers, do Gamma Ray, mas mudou de mudou de ideia em cima da hora ao receber uma fita de vídeo com um show de uma banda americana chamada Winter’s bane.

No repertório, várias canções do Judas Priest e um vocalista sensacional e carismático. E foi assim que Tim “Ripper” Owns foi convidado para testes e aprovado. O apelido Ripper é por causa da música do Judas de mesmo nome, para se ter uma ideia do quanto o cara era fanático pelo grupo.

As coisas, no entanto, só andaram mesmo dois anos depois com o lançamento de “Jugulator”, um bom dico, ma que não era Judas Priest de verdade. O som stava modernizado demais. Seguiram-se mais um disco de estúdio e dois ao vivo até que não tiveram outra alternativa a não ser negociar a volta de Halford.

O antigo vocalista não hesitou em aceitar. Em movimento parecido ao da volta de Bruce Dickinsib ao Iron Maiden, viu sua carreira estagnar depois de criar as bandas Fight, Two e Halford.

Com essa última, voltava ao mtal tradicional, mas o som era por demais parecido com o do Judas. Depois de dois discos estava de volta. Ele e abanda não fizeram nada parecido, mesmo que remotamente, com “Painkiller”, mas ao menos o som da banda foi recuperado em discos como “Firepowr” e “Invincible Shield”.

Compartilhe...