Um contraste imenso domina as principais atrações roqueiras que chegam ao Brasil a partir desta semana. Os americanos do Living Colour comemoram os 40 anos de carreira em sua plenitude em sua formação clássica; os anglo-australianos do AC/DC, remendados e dando sinais de que podem parar em breve, são uma verdadeira incógnita em 2026.
Frequentadores assíduos dos palcos brasileiros, os músicos do Living Colour não costumam fazer shows que não sejam no mínimo excelentes. É uma banda poderosa no palco, com seu som pesado e multifacetado, funky e bluesy na medida certa
O quarteto compensa a falta de material novo há décadas com apresentações concisas e certeiras dentro de um repertório irrepreensível. É impossível passar incólume a um show do Living Colour, com excelência do guitarrista Vernon Reid e d qualidade vocal de Corey Glover. Não tem como dar errado.
Em relação ao AC/DC, a situação é d total incógnita. A banda demorou para retomar a promoção do álbum “Power Up” (ou PWR UP), lançado em 2020 e tragado pela pandemia de covid-19. O novo disco foi uma tentativa de reagrupar depois de um esfacelamento que envolveu morte, prisão e abandonos, além de idade avançada e problemas de saúde.
O fundador Angus Young, guitarrista icônico da história do rock, tem 70 anos e ainda apresenta algum vigor físico, mas o vocalista Brian Johnson, aos 79 anos, ainda convive com as sequela de problemas auditivos que o afastaram d banda e dos palcos na turnê de 2015. Fez um ótimo trabalho no último álbum, mas está resistido bem na atual turnê, mas até quando?
Malcolm Young, i chefão que mantinha tudo em ordem e que era um dínamo com sua guitarra segura, morreu em 2017. O baixista Cliff Williams se aposentou definitivamente e o baterista Phil Rudd saiu de novo porque anda enfrenta problemas com a Justiça da Nova Zelândia, onde mora – esteve envolvido em um caso de tentativa de homicídio anos atrás. Oque sobrou então do AC/DC?
Steve Young, sobrinho d Angus e Malcolm- apesar de ter quase a mesma idade dos dois – substituiu o tio a partir de 2012 e mostrou-se um guitarrista correto e eficiente, mas sem o dinamismo que segurava todas as pontas, como Malcolm fazia. Chros Chaneu no baixo e MattLang na bateria não comprometem, mas são apenas músicos contratados para reproduzir o passado, e apenas isso.
AC/DC continua uma instituição venerável e uma banda gigante, mas que perdeu parte de sua essência, assim como o Rush – dois conjuntos históricos desfigurados que ainda vagam por aí como arremedos do que já foram.
O AC/DC é daquelas bandas incapazes de fazerem show ruim, sej qual a formação estiver tocando. Será divertido ver a banda no Brasil e sentir a sua energia pulsante e o desfile de grandes clássicos, mas tenhamos em mente que não será nem remotamente parecido com a explosiva última passagem por aqui, em 2009.
SERVIÇO
Living Colour -The Best of 40 Years Tour
Dia 27 de fevereiro de 2026 – 22 horas
Tokio Marine Hall
Rua Bragança Paulista, 1281 – Santo Amaro – São Paulo – SP
Classificação: 16 anos
Ingressos a partir de R$ 220,00
Inf: https://www.tokiomarinehall.com.br/living/
AC;DC EM SÃO PAULO
São Paulo
Data: 24 de fevereiro (terça-feira), 28 de fevereiro (sábado) e 04 de março de 2026 (quarta-feira)
Local: Estádio MorumBIS
Endereço: Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 – Morumbi, São Paulo – SP, 05653-070
Abertura dos portões: 15h00
Horário do show AC/DC: 21h00
Classificação etária: 16 anos desacompanhado. Menores de 16 anos apenas acompanhados dos pais ou responsável legal. Sujeito a alterações conforme decisão judicial.