Mias pesado e bluesy, Deep Purple resiste be, ao tepo

Um surto criativo que desencadearia a composição de seu álbum mais pesado em anos. Assim o vocalista Ian Gillan definitiu o processo de “Splat!”, o recém-lançado disco do Deep Purple, instituição mundial do hard rock.

E ele não estava brincando: o novo trabalho é o mais pesado da banda neste século e mostra uma urgência de um seleto grupo de músicos que ainda teimam estar nos palcos aos 80 anos.

O grupo está à beira de completar 60 anos de sua criação e há pouco parecia caminhar para um fim suave e indolor, mas o disco “=1”, de 2024, reacendeu a chama do rockj – muito por causa da entrada do guitarrista sul-africano Simon McBride, então com 44 anos, no lugar do septuagenário Steve Morse então em luto pela morte da mulher.

McBride é um dos nomes em alta no blues rock atual e deum uma virada no som da banda. “Splat’” reflete esse ambiente e retoma uma pegada bluesy dos tempos em que o guitarrista era Ritchie Blackmore, que mandava na banda.

As músicas estão mais pesadas e rápidas, e o entrosamento com p tecladista Don Airey, cada vez mais participativo, está perfeito, com na faixa “Guilty Trippin’”.

A máquina do ritmo Ian Paice, único membro fundador, parece se divertir na nova fase, assim como o vocalista Ian Gillan, que dribla fácil as dificuldades de seus 81 anos de idade.

A formação do álbum de título peculiar pode contar com apenas três quintos do Deep Purple que nos presenteou com os icônicos riffs e sucessos dos anos 70, como “Smoke on the Water”. Mas, considerando que aqueles dias ficaram para trás há mais de cinco décadas, você nem perceberia isso.

Um trio daquela formação clássica “Mark II” — o baixista Roger Glover, o cantor e compositor Ian Gillan e o baterista Ian Paice — permanece na banda. E, embora tenham 80 anos (ou estejam perto disso) — o guitarrista relativamente novo Simon McBride, que entrou em 2022, tem apenas 47 —, basta ouvir os fraseados pulsantes da faixa de abertura, “Arrogant Boy”, para constatar que não falta vitalidade ou energia nessas performances de músicos que poderiam simplesmente estar descansando e vivendo de direitos autorais.

O novo disco reafirmou suas credenciais no gênero hard rock/prog que eles praticamente inventaram — ou, pelo menos, popularizaram. É o 24º álbum da banda, mas soa como se pudesse ser o quarto.

O produtor Bob Ezrin, que retornou para o projeto, ajudou a moldar estas 13 faixas, mantendo-as coesas, frescas e mais vibrantes do que se esperaria de artistas com essa idade avançada.

Em vez de viver de glórias passadas, o Deep Purple criou um álbum complexo, pesado e sonoramente reconhecível de imediato que, assim como trabalhos de contemporâneos como Alice Cooper (outro cliente de Ezrin), respeita e faz referência à sua sonoridade clássica sem jamais imitá-la de forma servil.

Mais interessante ainda é o fato de que essas músicas são construídas em torno de um tema, embora seja um conceito difícil de decifrar. O encarte esclarece que o vocalista Ian Gillan concebeu uma ideia sobre o fim da humanidade — “não em um sentido apocalíptico grosseiro, mas como uma metamorfose além da existência física”.

Tendo isso em mente, essas canções — repletas de letras, por vezes prolixas e até divagantes — estão a anos-luz de distância da simplicidade de descrever um carro potente como uma “Highway Star” ou de estar com preguiça (“Lazy”) demais para sair da cama; apenas para citar alguns exemplos anteriores e de assimilação mais fácil.

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