- Com informações de Henrique Neal – especial para o Combate Rock
O sucesso de um evento pode ser perigoso e acender uma luz vermelha de atenção? Sim, quando vemos que o C6 no Rock agradou em cheio a um público nostálgico que não estyá disposto a dar chance ao novo. Temático, o festival focou exclusivamente em atrações dos anos 80 do rock nacional. Era tudo o que o público queria.
As reuniões do tipo “Encontro”, renindo formações clássicas d Titãs e Barão Vermelho, indicaram o caminho e o C6 no Rock foi certeiro: em a primeira edição fez lima celebração de músicas que fizeram sucesso quatro décadas atrás. Quase todas as atrações eram quarentonas e seis integrantes, sessentões.
Não se trata de etarismo ou preconceito. O problema é o predomínio da nostalgia que reforça o rótulo de “música de velho”. Uma marca tão poderosa, que tem se destacado pela ousadia nos elencos escalados no C6 Fest, decepciona quando privilegia apenas nomes grandes que estão no mercado há 40 ou 45 anos. Também não se discute qualidade ou importância das atrações, já que é sempre um prazer assistir a Paralamas do Sucesso, Ira” e Titãs entre outros. Mas é realmente o trabalho novo e instigante que esses artistas ofeceream ao mercado recentemente?
É perigoso falar em moda quando percebemos a exclusão de atrações mais recentes, que só conseguem espaço em horários ruins em megafestivais como Lollapalooza – quando conseguem. É fundamental celebrar o passado, mas quando isso vira regra ninguém ganha.
Ao lado do público mais jovem qu venera Ira!, Paralamas, Titã e Legião Urbana, é fácil escutar os clichês “essa banda/música mudou a minha vida ou “faz parte da minha história”. Esses jovens que nem eram nascidas foram muito influenciados por pais e avós e cantam direitinho as músicas.
Entretanto, bastam cinco minutos d conversa para perceber que estão tão fossilizados quanto as pessoas que os inseriram nesse mundo maravilhoso do rock. A amostra é irrelevante, mas as respostas à pergunta são significativas. No show do Ira!, perguntamos a jovens os nomes dde ao menos duas bandas novas que tenham escutado neste ano. Das s30 ou 40 consultas, só duas pessoas lembraram, com muito esforço, de dois nomes.
É um movimento de mercado aparentemente aleatório, em que pouco se pode fazer pra mudar o curso das coisas, mas não é exatamente assim. Temos culpa também neste ambiente ao não participar de situações que privilegiem, ao menos em parte, o novo e o futuro. Escutar só Paralamas e Titãs o tempo todo e incentivar a sua onipresença é nocivo para a arte musical.
O sucesso do festival passou, obviamente, pelos nomes escalados e suas excelências no palco. São nomes praticamente incontestáveis. O festival temático era ainda mais temático em razão da ideia de tocar álbuns icônicos na íntegra.
No sábado, Os Paralamas do Sucesso com “Selvagem?” (1986); Titãs com “Cabeça Dinossauro” (1986); Paulo Ricardo com “Rádio Pirata Ao Vivo”, do RPM (1986); e Plebe Rude com “O Concreto Já Rachou” (1986);
No domingo, Marina Silva com “Fullgás” (1984); Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá com “Dois”, da Legião Urbana (1986); Blitz com “As Aventuras de Blitz” (1982); e Ira! com “Vivendo e Não Aprendendo” (1986).
Pela relevância da obra, ainda atual, Os Paralamas do Sucesso fizeram o show mais significativo, com hits maravilhosos como “Afogados. Herbert Vianna, o guitarrista e vocalista, mostrou vigor físico e muita força e empenho.
O Ira” mostrou desempeno semelhante, com muita energia e Nasi, o vocalista, calando os críticos que questionavam suas capacidades de repetir o auge da banda. Ele cantou muito bem e sua voz está mais forte e poderosa. Edgard Scandurra e sua guitarra ímpar também foi um show à parte.
Titãs tmabém chamaram a atenção com o maravilhoso “Cabeça Dinossauro, fazendo um show diferente – mais comedido e menos agressivo, mas sem perder a contundência. A obra e tão boa e tão importante que soa vigorosa e urgente 40 anos depois.