Novas vozes femininas brasileiras: Cacá Magalhães candidata a diva, Lia Kapp explora caminhos obscuros

Lia Kapp e banda (Foto: divulgação)

Ela já tinha impressionado ao 12 anos com o vozeirão de Cássia Eller aos 12 anos cantando blues no interior da Bahia em tributos a cantoras como Sarah Vaughan, Billie Holiday e Ella Fitzgerald. Em versões de canções de Cazuza, barão vermelho e outros nomes importantes da música brasileira, encantava pela afinação e maturidade. E então Cacá Magalhães cresceu.

Quem vê no YouTube o ensaio aberto que ela realizou recentemente, ao vivo, não consegue imaginar que ela tem só 20 ano e uma indicação a arista revelação no Grammy de 2024.

Temos uma diva em gestação no blues nacional que caminha cm cautela em busca de ascensão. Tem sido assim desde que foi descoberta em vídeos nas redes sociais. Nada de pressa para estourar, mas este é o seu destino.

Desde o single “So Sinto”, de 2-024, eu a levou ao Grammy, a trajetória de Cacá mantém os pés no chão. Transitando entre o jazz, o blues e a mPB, constrói um repertório robuisto com clássicos atemporais e composições próprias. “Loucura” é um destaque, com letra sóbria e interpretação descontraída. Mostra maturidade e inteligência com pouca idade e sinaliza que deverá brilhar em breve em palcos maiores. Sua interpretação de “Stormy Monday” é estupenda.

A paranaense Lia Kapp surpreende pelas escolhas em um momento em que o rock alternativo luta por mais espaço. O som dark pesado, com guitarras térreas e hipnóticas é de difícil assimilação, só que a produção ameniza os efeitos colaterais de escolhas mais complicadas.

“Burning the House Down” ´é a sua música mais recente e contempla vários espectros da música mais carregada de sentimentos e simbolismos. Há uma atmosfera synh pop de anos 80, mas não se engane: é rock de verdade, mas um pouco diferente e com elementos diferentes e um pouco estranhos.

A composição começou durante uma disciplina do bacharelado em música que a artista cursou na UFPR e a letra surgiu ao perceber que todas as frases que anotava no dia a dia em seu bloco de notas falavam sobre esse mesmo tema. A concepção sonora da faixa, que Lia descreve como “apocalíptica”, também contou com a contribuição da banda que a acompanha nos shows: Celso Chane (guitarra), Erich Zimmermann (teclas, baixo, guitarra), Karo Schle (baixo, teclas) e Raul Bochnia (bateria). A masterização e a mixagem ficaram por conta de Lipe Borba.

Segundo Lia Kapp, “Burn This House Down” fez com que ela saísse um pouco de suas angústias internas e olhasse ao redor: “todas as letras surgem a partir de minhas experiências pessoais, mas tenho me afetado muito com o que é ser mulher na sociedade atual e tentado usar a minha voz para falar sobre esses temas. Nessa música, busquei apontar o julgamento que sofremos por sermos quem somos e como isso nos faz duvidar de nós mesmas”, reflete.

A música em questão é bem feita consegue transmitir o ambiente claustrofóbico dos porões dark de Londres e Berlim, por exemplo – dá para imaginar a pista de dança subterrânea dos tempos berlinenses de David Bowie n final dos anos 70. Lia Kapp é uma artista promissora em uma área improvável do rock brasileiro.

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