O álbum ao vivo que ‘salvou’ a carreira d Stevie Ray Vaghan faz 40 anos

StStevie Ray Vaughan (centro) e a Double Trouble em 1985: Reese Wynans está sentado à esquerda *foto: divulgação)

“Nunca o tinha visto tão feliz e tão sereno, tão em paz consigo mesmo.” O tom era de resignação, muito mais do que tristeza. Atordoado, o guitarrista Jimmie Vaughan queria chorar a morte do irmão, ms não conseguia. Só conseguia ver ba mente a despedida dele hora antes, ao embarcar em um helicóptero após um show em um minifestival no interior dos Estados Unidos.  

Stevie Ray Vaughan, o guitarrista de blues mais celebrado do mundo naquele 1990, estava com pressa e queria chegar logo a um aeroporto e voar para o seu Texas.

Era 27 de agosto chuvoso e com neblina, mas mesmo assim dois helicópteros decolaram em East Troy, cidade onde ficava Alpine Valley. Stevie embarcou rápido junto com a equipe de Eric Clapton – que não quis embarcar na aronave. Minutos depois, uma dela desapareceu, ma o choque contra uma montanha só seria revelado hora depois.

O prazer de dividir o palco com irmão mais novo pela última vez só tinha sido superado pela manutenção da sobriedade de Stevie por longos três anos.

A perseverança tinha sido recompensada com um novo auge artístico, no qual Stevie apostava com forças e que incluía o primeiro  único álbum gravado pelos dois – “Family Stylle” seria lançado oficialmente no final daquele trágico 1990.

O disco da dupla Jimmie e Stevie Ray era a coração de uma mudança fundamental na vida dos dois, que envolveu o lançamento de um [álbum e a tomada de decisão de ir para a reabilitação – Jimmie Vaughan foi crucial para que o irmão mais novo mudasse a vida e a careira.

“Live Alive”, o LP duplo ao vivo, foi lançado em 1986 com músicas gravadas em Montreux, na Suíla, e nas cidades texanas de Dallas e Austin. Como suporte ao estrondoso sucesso do álbum do ano anterior, “Soul to Soul”, foi ainda mais bem-sucedido e consolidou a formação da banda que o acompanhavam, a Double Trouble. O baixista Tommy Shannon e o baterista Chris Layton ganhavam a companhia do extraordinário tecladista Reese Wynans.

Nos palcos as coisas estavam controladas, mas fora deles o magnífico guitarrista caía pelas tabelas ao se afundar no álcool e nas drogas. Stevie Ray Vaughan rapidamente trilhava o caminho de Jimi Hendrix (1942-1970), por quem era fascinado.

Faz 40 anos que Stevie Ray, com a ajuda de Jimmie e do multiplatinado álbum ao vivo, entendeu que tinha de mudar e se submeter a um severo programa de reabilitação.

O músico que ressurgiu meses depois, em 1987, era outra pessoa e um profissional orgulhoso e consciente de seu trabalho e do que representava para o blues.

Era esse o orgulho que Jimmie sentia e que lamentava ao receber a notícia da queda do helicóptero na madrugada de 28 de agosto de 1990.

Depois de tanto esforço, Stevie Ray tinha desfrutado pouco da fase de maior sucesso da carreira, aquela que tinha o álbum solo “In Step”, de 1989, como sucesso enorme de vendas.

Ao ver as imagens do helicóptero destruído, Jimmie não conseguia e não queria chorar. Só conseguia pensar no show de horas antes, que ainda teve Eric Clapton e Robert Cray, e no álbum que estava prontinho para ser lançado – e que seria o maior tributo e homenagem a um dos melhores guitarristas que já existiram.

Quanto ao álbum da virada da carreira, é um momento mágico da história da música americana. Os demônios internos foram vencidos, ao menos nos palcos, e o que temos é Stevie Ray Vaughan endiabrado e perfeito desfilando seus principais temas, como a corrosiva “Say What” e a épica “Life Without You”, um dos blues românticos mais arrepiantes da história.

“Change It” emociona pela força da canção em si e seu refrão maravilhoso, da mesma forma que “Pride and Joy” era a essência do blues que praticava. “Ain’t Gone ‘n’ Give Up on Love” também emociona em forma de balada melancólica, e ainda tem a maravilhosa “Superdtition”, de Stevie Wonder, e a pegajosas “Look at Little Sister” e “Love Struck baby”.

Nunca foi possível medir o tamanho da perda, mas Jimmie Vaughan nunca ge questão disso. Celebrar o legado do irmão sempre foi o mais importante e “Family Style” sempre foi maior símbolo desse amor incondicional, mas “Live Alive” sempre foi a parte mais importante desse processo por representar a virada que salvou Stevie e sua carreira.

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