O passado embala o rock e o condena a cemitério artístico

barão Vermelho no formato 'Encontro' (foto: divulgação)

O rock é a coisa do passando, com, a nostalgia imperando entre um público preguiçoso, comodista em a menor vontade de consumir coisas novas. Esse é o consenso entre vários especialistas que se debruçam sobre o tema nos últimos meses ao questionar os motivos que levam a dúzias de turnês comemorativas e a extensão de giros de artistas que não lançam coisas novas faz tempo.

O artista mais recene a escancarar essa situação incômoda foi o cantor italiano Fabio Lione, que deixou o Angra no final do ano passado após o anúncio dde uma parada por tempo indeterminado, Diante desta perspectiva, Lione saiu e, em dezembro de 2025, declarou que o grupo brasieiro olhava demais para o passado ao engata turnês celebrando discos antigos.

A crítica é pertinente, tanto que o último show da banda seria no Bangers Open Air, em abril, em São Paul, tocando o álbum “Rebirth”, de 2000, com a participação de ex-integrantes, como Lione, o guitarrista Kiko Loureiro, o baterista Aquiles Priester e o cantor Edu Falaschi.

Seria o último show, maso Angra acertoi dias antes uma apresentação semelhante no Espaço Unimed, em São Paulo. Com uma demanda nostálgica, o grupo anunciou que o hiato acabou e que ainda este ano fará uma turnê comemorativa dos 30 anos do álbum “Holy Land” tendo o brasileiro Alírio Netto nos vocais. Ou seja, Fabio Lione estava certo na crítica contundente. A tendência é de que a situação se aprofunde, como vem, acontecendo desde a turnê “Titãs Encontro”, de enorme sucesso ao reunir o trio remanescente aos ex-integrantes ainda vivos. Estádios lotaram, o que não ocorria com o trio remanescente tocando músicas novas e desconhecidas.

Os Titãs não perderam tempo e anunciaram para este ano uma turnê comemorativa de 40 anos do álbum “Cabeça Dinossauro”, um dos três mais importantes e música brasileira. É tentador demais não aproveitar mais uma brecha lucrativa do passado.

A concorrência ficou de olho e o barão Vermelho imitou os Titãs e anunciou a turnê “Encontro” no começo deste ano – a mesmíssima cosa: reunir ex-integrantes, como o guitarrista Frejat, para celebrar os 45 anos de criação do grupo. Os ingressos já esgotaram nos primeiros lotes para estádios de futebol. A formação atual mal conseguia encher tetros e casas noturnas de médio porte.

Um panorama semelhante pode sr observado no Capital Inicial e no Ira!, que revisita seus sucessos nos formatos acústico e “folk” praticamente ignorando canções mais novas, deste século.

Em conversa informal com o Combate Rock, um dos craques dessa geração admitiu, resignado, que o público roqueiro brasileiro perdeu o interesse na música de verdade. “Não é e um fenômeno novo, mas é triste. Parece que a maioria dos artistas só gravou cinco ou seis canções relevantes. Claro que é bom ouvir os hits de sempre, mas a música e a arte vão bem além disso. Eu me sinto frustrado entre atender somente ao que publico quer ouvir e tentar ousar ao tocar algo diferente e não ter reverberação.”

No exterior, Iron Maidedn e Guns N’ Roses são os mais usuais em suar o expediente de criar turnês enfocando o passado, uma praga que se se alastrou por todo o rock clássico. O cantor e baixista Glenn Hughes, de 75 anos, que acabou de se despedir dos palcos, fez ao menos três giros mundiais desdce 2020 tocando apenas as músicas de sua fase do Deep Purple – entre os anos de 1974 e 1976.

Diante desse quadro, o rock caminha cada vez mais para ser música de nicho, como o jazz e o blues, onde a produção de músicas novas vai diminuindo e se tornando “coisa de velho”, como é possível ler por í nas redes sociais. Ousaram até mesmo a falar esse tipo de coisa de Jimi Hendrix e Miles Davis.

É um processo semelhante ao que ocorre com Pelé e Maradona, que já morreram e que estão sendo leta e progressivamente esquecidos por uma geração ignorante e que se recusa a se informar mesmo com farta disposição de imagens e documentários sobre os dois gênios da bola.

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