“Um stone só sai d banda morto”, vociferou um raivoso Keith Richards quando soube que o guitarrista Mick Taylor tinha jogado a toalha em 1975 e saído dos Rolling Stones. A resposta: “Se eu tivesse continuado morreria e sairia da banda em um caixão”, em alusão aos vícios em drogas e álcool.
Richards fez a mesma ameaça a Bill Wyman 18 anos depois, mas foi solenemente ignorado: o baixista decidiu se aposentar e só tocou por diversão na Inglaterra a partir de 1993. Milionário e bom vivant, virou doo de restaurante e músico aposentado , encontrando tempo para uma outra paixão, a de memorialista dos Rolling Stones, com o maior acervo oficial da banda em sua propriedade perto de Londres.
William Perks, seu nome de batismo, é o primeiro nome do rock a chegar aos 90 anos. Apaixonado por jazz e blues, já era casado e tinha dois filhos quando conheceu um bando de moleques atrevidos nos clubes londrinos por volta de 1961. Tinha emprego formal e tocava de noite e nos finais de semana – ea um baixista cobiçado por ter equipamento próprio, como amplificadores e microfones.
No seguinte, aceitou se juntar aos Rolling Stones e dividiu o emprego com a banda por vários meses até perceber que aquela banda de rock encharcada de blues tinha algum futuro. Ficou 30 anos e se consolidou como o decano do rock, da mesma geração de Elvis Presley e John Mayall.
Nos Stones, nunca escondeu o jeitão de peixe fora d’água. Era paradão, esquisitão, quietão, embora gostasse do estilo de vida rock and roll. Mesmo bem mais velho do que o restante da banda, nunca quis se envolver com liderança ou briga para emplacar composições e concorrer com a dupla Mick Jagger e Keith Richards. A banda só gravou duas de suas músicas. No entanto, foi o primeiro integrante a lançar um disco solo, em 1074.
Fora dos Rolling Stones, não convive mais com os ex-companheiros. Participou de alguns shows da banda na turnê de 2023-2914 como convidado em algumas músicas, mas optou pela reclusão e por viagens esporádicas pela Europa.
Na música, reuniu amigos no Bill Wyman’s Rhythm Kings, de formação variável. Para gravar clássicos do rock dos anos 60 e algumas músicas autorais – foram dez CDs até agora, com shows esporádicos nos arredores de Londres.
Técnico e seguro, sem malabarismos ou inovações, Wyman representou o contraponto de confiabilidade e seriedade no rock em um momento em que tudo transpirava rebeldia e revolta contra o sistema em momento de profundas transformações políticas, culturais e comportamentais.