O som da resistência: moradores d Barra Funda atavam o Bangers Open Air no Memorial

Foto: divulgaçãoCF

O argumento pé mais do que batido, mas vale para exemplificar, em parte, a falta d espírito público e urbano– para não dizer social – de uma parte expressiva da população paulistana que mora em barros centralizados e até nobres.

Periodicamente, moradores dos bairros nobres e ricos de Moema e Campo Belo, na zona sul de São Paulo, se mobilizam para pleitear o fechamento do aeroporto de Congonhas, o segundo mais movimentado do Brasil e da América do Sul, fundamental para o tráfego aéreo da região.

Alegam que o barulho é insuportável e que há risco de acidentes. Querem, ao menos, uma redução do movimento. É gente que tem três carros caros na garagem e que pagou ao menos R$ 3 milhões par morar naqueles bairros.

O fundamental, entretanto, ´[e que chegaram ali depois dos anos 1980 atraídos pela área nobre. Só que o aeroporto foi inaugurado em 1936. Será que não perceberam que havia um aeroporto nas imediações quando optaram por Moema e Campo Belo?  

O mesmo vale para quem se queixas dos estádios do Pacaembu (inaugurado em 1940), do Morumbi (inaugurado em 1960) e do autódromo de Interlagos (inaugurado em 19490).         

O mesmo tipo de reação descabida atinge, pelo segundo ano consecutivo, o Bangers Open Air, festival de heavy metal, que se consolidou como evento de grande porte na cidade.

Realizado em dois dias no Memorial da América Latina, na Barra Funda (zona oestre), está sendo atacado porque “incomoda demais os moradores do entorno por causa do som alto”. De formq populista ee sensacionalista, d novo as reclamações de meia dúzia d moradores privilegiados foram encampadas por emissoras de TV, como a Globo, que aparentemente não gosta desse tipo de evento.

De uma forma parecida, a emissora de TV também questiona a realização de shows no Vale o Anhangabaú privatizado, onde moram menos pessoas do que na Barra Funda – os problemas no vale são utros e muito mais graves do que o barulho produzido pelas apresentações, realizadas de dia e dentro da lei.

O engraçado é que os mesmos que reclama do evento anual – repito, anual – se calam para o fato de estarem morando em um bairro encravado entre dois grandes estádios d futebol – Pacaembu e antigo Allianz Parque – que recebem multidões todos os finais de semana, seja para shows ou pata jogos. E as linha de metrô e trem que cortam o bairro, com suas estações superlotadas?

O Memorial da América Latina tem mais de 40 anos de história e se tornou um equipamento público de cultura que teve seu uso ampliado para exposições externas, feiras culturais e apresentações musicais. =Os organizadores do Bangrs Open Air foram muito felizes na escolha do local para criar um festival com mais de 40 atrações nos moldes europeus;

São dois dias de shows em um final de semana de abril que levam mais de 50 mil pessoas ao Memorial. É claro que tem tumulto e, como as bandas são de heavy metal, o som é alto por nove horas em cada dia do final de semana. Só que os horários são respeitados e a Prefeitura de São Paulo afirma que não constatou irregularidades nas edições de 2025 e 2026 na questão dos ruídos.

Quem mora no entorno chegou depois da inauguração, em sua maioria. Sabia onde estava se metendo. E ainda assim é incapaz d suportar um final de semana com música alta em um equipamento cultural público em UM final de semana por ano?

Que o Bangers Open Air fique para sempe e tenha estadia longa no Memorial da América Latina – a edição de 2027 já está confirmada para o mesmo local, no mês de abril. E que os privilegiados moradores de regiões centrais de classes média e alta tenham o espírito civil social de entender que precisam compartilhar alguns bônus e ônus do fato de morarem onde moram, – e pelo uma vez no ano.

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