A banda americana sinônimo de rock alternativo, embora rapidamente tenha deixado de ser alternativa a coisa alguma. Assim os Pixies são conhecidos até hoje, com mais de 40 anos de existência e uma obra bastante consistente e um trabalho de guitarras que inspirou inúmeros artistas, entre eles Nirvama e seu derivado, os Foo Fighters.
Frank Black (ou Black Francis, dependendode seu humor esquisito), é um dos melhores compositores de sua geração, rivalizando com o pupilo Billy Corgan, do Smashing Pumpkins. Cáustico, irônico e articulado, Black costuma dizer que seu ofício o obriga a refletir constantemente sobre a vida e o cotidiano, às vezes levando-o a privilegiar o bizarro.
Duas obras importantes da banda, talvez os dos melhores discos dos Pixies, foram reeditados recentemente com novas mixagens e masterizações, mas sem material extra. Os flertes com o pop são evidentes, mas o essencial é rock experimental em “Bossanova” e “Trompe le Monde”.
Os dois últimos álbuns da formação original dos Pixies ocupam um lugar peculiar na discografia da banda: são mais bem onceituados do que os lançamentos posteriores, mas raramente considerados à altura de seus trabalhos iniciais.
Esas novas remasterizações estão disponíveis m CD e em vinil de edição limitada — com um compacto de 7 polegadas bônus contendo músicas inéditas — e oferecem uma oportunidade ideal para reavaliar os álbuns por deus próprios méritos; em suma, eles resistem muito bem ao teste do tempo.
Em 199, parecia que os Pixies estavam prestes a alcançar o sucesso comercial em larga escala, mas sso nunca aconteceu de fato. Em vez dis, “Bossanova” apresentou uma abordagem mais suave, polida e convencional da sonoridade dos Pixies, justamente no momento em que a outra banda da baixista Kim Deal, os Breeders, havia lançado seu álbum de estreia, “Pod”— uma obra mais interessante produzida por Steve Albini.
Simultaneamente, bandas mais novas — que logo seriam classificadas como grunge — incorporavam a sonoridade mais crua e agressiva dos álbuns dos Pixies da década de 80, especialmente “Doolittle” (1989).
Quando “Trompe le Monde” foi lançado em 1991 — apenas algumas semanas após o sucesso estrondoso de “Smells Like Teen Spirit”, música claramente influenciada pelos Pixies —, a sonoridade relativamente mais agressiva do álbum parecia, em certa medida, uma tentativa de acompanhar a tendência dominante.
Essencialmente, era o som de uma banda cujo auge estava passando. No entanto, abstraindo esse contexto da época, ambos os álbuns se sustentam muito bem — especialmente “Bossanova” — e possuem uma vitalidade que surgiu apenas de forma intermitente nos cinco álbuns lançados desde o retorno da banda em 2014.
“Bossanova” representou um passo seguinte que foi, ao mesmo tempo, lógico e surpreendente após “Doolittle”. Produzido por Gil Norton, “Doolittle” já apresentava uma sonoridade mais limpa e faixas mais acessíveis do que “Surfer Rosa” (1988), produzido por Steve Albini, ou o minialbum de estreia de 1987, “Come On Pilgrim”.
Ao mesmo tempo, “Doolittle” compartilhava com os discos anteriores algumas características estilísticas, incluindo uma preocupação lírica marcante e intensa com temas como violência, sexo, drogas e religião — frequentemente com letras em espanhol.
Essa temática era acompanhada por uma sonoridade igualmente poderosa, muitas vezes crua e caótica, caracterizada pela famosa dinâmica de alternância entre momentos de volume alto e baixo (“loud-quiet-loud”), que constituiu o principal legado da banda para o movimento grunge.
Os primeiros lançamentos dos Pixies também compartilhavam uma estética muito específica, enraizada em Simon… …a fotografia em preto e branco de Larbalestier, atmosférica e com uma estética propositalmente arcaica.
Praticamente tudo isso desapareceu em “Bossanova”. Não apenas a música era visivelmente menos áspera do que em “Doolittle”, mas, quando apresentava maior agressividade, ela soava dura de uma maneira diferente e muito menos caótica.
Os vocais de Black Francis, em geral, evitavam os excessos que forçavam a garganta ao limite e que o tornavam um cantor tão imprevisível. O design da capa e a fotografia de Vaughan Oliver — que também havia dirigido a arte dos lançamentos anteriores — eram luminosos, brilhantes e coloridos, refletindo a obsessão de Black Francis pelo espaço e por alienígenas; esse tema, que às vezes surgia discretamente nas letras de trabalhos anteriores, passava agora a dominar o cenário.
Ainda assim, a ideia de que se tratava de uma direção totalmente nova é simplesmente equivocada. Algumas das faixas mais características do álbum, como “Dig for Fire” e “Down to the Well”, antecediam até mesmo “Surfer Rosa”.
“Down to the Well”, por exemplo, havia aparecido na demo da banda de 1987 conhecida como *The Purple Tape*, juntamente com a faixa declaradamente comercial “Here Comes Your Man”, do álbum “Doolittle”.
Até mesmo “Trompe le Monde” — que, mais uma vez, dava a sensação de um novo começo — incluiria uma faixa da “Purple Tape”: “Subbacultcha”. Várias músicas de “Doolittle” já apresentavam uma sonoridade próxima à da surf music, mas, ainda assim, abrir “Bossanova” com uma versão fiel do instrumental de surf “Cecilia Ann”, dos Surftones, foi uma escolha surpreendente.
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