Entre as bandas de rock nordestinas que fazem a mistura de rimos e g^neros, a paraibana Papangu é a mais importante no momento, com álbuns entre os melhores do ano e turnês nacionais e internacionais. Na cola vem a Jurema Juice, de Alagoas, com sua mescla de rock, psicodelia, MPB antiga e ritmos regionais.
O som é bom. gostoso de ouvir e menos experimental que o d Papangu, que flerta abertamente com o heavy metal progressivo. Ainda que centrada nas guitarras, a música tem arranjos criativos que permitem perceber as camadas de influências, com pitadas aqui e ali de coisas como Boogariins, Macaco Bong e outras sonoridades brasileiras mais modernas.
O primeiro álbum, “Jurema Juice”, foi lançado no mês passado e já ganhou espaço em plataformas digitais na Europa por conta do som estranho e diferente, que cativou os mesmos ouvintes da Papangu.
A música mais interessante é “Caos”, mais pesada e “normal”, mas que consegue aglutinar todas as influências da banda. O trabalho d guitarras é mito bom, impondo timbres inusitados e riffs hipnóticos que fazem a psicodelia nordestina ser realçada de forma muito bacana.
Formada por André Gonçalves (vocal), Carol Vilela (bateria), Davi Savicki (guitarra) e Pedro Salvador (baixo), a banda constrói uma sonoridade marcada por riffs densos, grooves consistentes e uma forte sintonia entre baixo e bateria.
O álbum não segue um conceito fechado, mas propõe uma imersão que mistura influências do blues rock ao stoner, dialogando com referências como Led Zeppelin, Black Sabbath, Kadavar, Radio Moscow e El Perro, incorporando também elementos culturais do Nordeste.
A produção musical e engenharia de áudio levam a assinatura de Joaquim Prado, enquanto a capa foi criada pelo ilustrador alagoano Cristiano Suarez, reconhecido internacionalmente por trabalhos com bandas de rock e marcas como Absolut Vodka. A identidade visual é desenvolvida por Rebeka Van Rooijen, responsável pela direção estética da banda desde o início.
Jurema Juice conta ainda com participações especiais de Dinho Zampier (sintetizadores e teclas) e Dalmo Almeida (percussão), que reforçam a atmosfera lisérgica e regional presente no trabalho.