Finalmente o guitarrista irascível tinha a sua banda de “volta”. Depois de se aborrecer com as mudanças que lhe foram impostas no Deep Purple, Ritchie Blackmore tinha paz e controle para liderar o seu projeto e incrementá-lo com a suas ideias. Era o verdadeiro nascimento do Rainbow, que celebra os 50 anos do lançamento do álbum “Rising”.
Quando saiu do ùtplr, em 1975, Blackmore já tinha em mente o Rainbow, mas os negócios urgentes para viabilizar sua nova carreira aceleram tudo. Sob os conselhos do antigo companheiro Roger Glover, baixista e produtor que tocou no DeepPrple anos ates, o guitarrista convidou a banda ELF para acompanha-lo nos shows e gravar o álbum “Ritchie Blackmore’s Rainbow” aind em 1975. O vocalista era Ronnie James Dio.
Esse álbum é o primeiro do Rainbow ou um disco solo do guitarrista? Ele mesmo parece ter dúvidas, a julgar pelas declarações ambíguas ao longo de 50 anos. Para maioria dos fãs, nenhuma dúvida: “Rising” é o começo da banda por conta das mudanças efetivadas: Dio ficou, mas o resto do ELF foi dispensado para que o controle fosse total. Blackmore tinha conseguido a sua própria banda.
Resignado, Dio arregaçou as mangas e trabalhou como nunca com Blackmore, Tony Carey (teclados), Jimmy Bain (baixo) e Cozy Powell (bateria, ex-Jeff Beck Group). Era uma formação poderosa, que se aproximava do Dep Purple clássico, com som forte e hard, mas com ares de progressivo, como na maravilhosa e épica canção “Stargazer”.
“Do You Close Your Eyes” era o momento mais acessível, com Dio revelando um desconhecido suingue que podia estar em um álbum da Stax ou da Motown.
À vontade para desfilar riffs geniais, Blackmore bradava que que som era o que o Deep Purple devia estar fazendo – na verdade, não mais, já que a banda tinha acabado naquela altura. Blackmore reinava sozinho, mesmo que a Ian Gillan Band aparecesse para tentar alcança-lo.
“Rising” é um dos pontos altos do rock psado da segunda metade da década de 70, uma época em que Led Zeppein e Queen dominavam as paradas, Bad Company aparecia no retrovisor e Aerosmith e Kiss se tornavam gigantes. Fez com que o Rainbow destronasse os Scorpios do topo na Alemanha Ocidental, onde Blacjmore tinha morado na década anterior. A sua banda era um sucesso imenso com apenas um disco de fato.
O LP tinha outras virtudes. Conciso, com apenas seis músicas, equilibrava muito bem o hard rock e o progressivo,, utilizando de forma criativa os teclados e a bateria propulsora de Powell. “Tarot Woan” e “Run With the Wolf” são uma dobradinha de abertura matador e representam passagens de Dio como supremo mestre da voz do heavy metal.
O Rainbow manteria o pique no disco seguinte, “Long Live Roc’n Roll”, que tem grandes músicas e Dio e Blackmore fazendo misérias, mas o clima já tinha azedado.
O vocalista sairia ano final de 1978 para se juntar meses depois ao Black Sabbath, que demitira Ozzy Osbourne.
O Rainbow recorreria a um inglês expatriado em Los Angeles, nos Estados Unidos, que desconhecia a existência a existência da banda: Graham Bonnet, que só registraria a voz em um LP, “Down to Eartg”, de 1979