Olhar diferente, pensar diferente, propor outras coisas. O rock ainda é capaz de oferecer esse tipo de possibilidade? ”Sempre, porque isso está na gênese do rock. Por que agora seria diferente?”
O otimismo do guitarrista e cantor Rodrigo Cerveira é comovente e inspirador, assim como os temas que colocou nas plataformas digitais para divulgar o álbum “The Searcher”, que chega ao mercado no dia 4 de setembro.
É um rock pesado diferente, denso, encharcado de engajamento e de mensagens contundentes em um momento em que a polarização política se esforça para criminalizar o ativismo e a tomada de decisões.
O som é moderno, mas tragefa linge da música pesada que ainda garda resqu[iociops do new metal, Mastodon, Lamb of God e Soem. As bases estão no rock clássico e no heavy metal tradicional, por mais que a timbragem das fuas guitarras seja mais baixa e remta a bandas que apreciam uma sonoridade mais extrema e grave.
“Foi uma opção nossa e o produtor Val Santos ajudo bastante a equilibrar nossas procuras desejos”, disse o músico em entrevista ao Combate Rock. “O resultado final comtemplou as minhas ambições e agregou elemento de rock contemportânepo, rock pesado e algo mais voltado para pop rock. “
Cerveira é um músico corajoso ao tocar em temas sensíveis, como a violência contra a mulher em vários ambientes.
“Animals”, o segundo single, tem a participação d Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e vai direto ao ponto: a mulher vive ciclos seculares de violência doméstica no mundo, principalmente no Brasil, e passou a convier com uma guerra diária que explodiu neste século – o crescimento do n´mero de estupros e de feminicídios. A renda da m[usica foi revertida para organizações que militam contra a violência contra a mulher.
“Sou pai de uma mulher, tenho mãe, tias e amigas. Os números da violência contra a mulher me causaram ata indignação que tive de compor para expor, de alguma forma, essa questão. O Andreas comprou no ato a causa e topou gravar comigo.”
Além de dividir a composição com Rodrigo, Val Santos, produtor do álbum, participa da construção da faixa. O resultado ganha ainda mais força com a presença de Andreas Kisser com um solo de guitarra avassalador e amplia a dimensão artística e emocional de “Animals”.
Os direitos autorais e de streaming da música serão doados a organizações que atuam diretamente no apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade: ONG Nova Mulher, ONG Fala Mulher e ONG Recomeçar.
Para Cerveira, “Animals” é o ponto de partida de uma iniciativa maior. A proposta é utilizar a arte como agente de conscientização sobre a violência contra a mulher e colaborar para gerar recursos para instituições que desenvolvem um trabalho de apoio a vítimas.
“Para aumentar a abrangência desta iniciativa, tive a ideia de criar um evento maior junto com o Löu, da Maria Carolina Grecco e do Andreas, que é um coletivo que reúne diferentes expressões artísticas para criar novas experiências. Além de contribuir com a música, com um solo sensacional, ele ajuda a conectar o projeto a outros artistas”, explica Rodrigo.
A ideia é reunir artistas plásticos para a criação de obras inspiradas no tema. Os trabalhos originais poderão ser leiloados e, posteriormente, suas respectivas réplicas numeradas poderão ser comercializadas, ampliando a geração de recursos e multiplicando as manifestações artísticas sobre o tema.
Artista articulado e consciente de seu papel como formador de opinião e disseminador de ideias, Cerveira é um entusiasta da arte como elemento fundamental de educação e de evolução do conhecimento. E as letras de suas canções evidenciam essa visão de mundo, assim como as do álbum e EP anteriores.
Adaptado a uma lógica de mercado que exige demais de artistas undrground independentes, o guitarrista trata a tecnologia como aliada por mais que seu cérebro funcione, às vezes, de modo “vintage”.
Guarda boas lembranças dos tempos em que ouvia fitas cassete, LPs e CDs, mas entende bem como funcionam as novas modalidades de consumo. “Antes víamos a música como lazer e entretenimento, além de elemento cultural, que demandava tempo para apreciação. Parávamos para ouvir. Hoje a música faz parte do dia a dia, do cotidoano, está ao nosso lado o tempo todo. Não há mais tempo para parar e curtir. É um lado meio complicado, mas é assim que é hoje. É um desafio capturar a atenção do ouvinte, especialmente a dos mais jovens”, analisa Cerveira.
O foco na carreira solo, com shows previstos neste semestre, deve manter o projeto Silver em descanso. É uma empreitada ao lado do guitarrista Felipe Machado, do Viper, que lançou um elogiado EP há dois anos.
“The Searcher”, o álbum solo prestes a sair, também terá ainda a participação especial do guitarrista Hugo Mariutti (ex-Shaman e Vipe).
Finalizando a sua9os impressões sobre o novo trabalho, Rodrigo Cerveira acredita que não precisou abrir mão do cuidado com as melodias, os arranjos e a construção das letras. “The Searcher incorpora de forma mais evidente influências do punk, do pós-punk, do grunge e do rock clássico, equilibrando peso e emoção de maneira natural.”
“O disco tem uma pegada mais pesada do que o primeiro. As guitarras estão mais nervosas, mas sem perder o cuidado com o songwriting, com melodias e letras bem cuidadas e trabalhadas”, destaca Cerveira.