A metrópole do concreto também é a cidade do experimentalismo e da veia progressiva do rock. São Paulo celebra 772 anos de sua fundação embalada por todos os sons, mas tem um colocrido diferente em 2026 ao se tornar personagem, central de uma obra quase conceitual lançada no ano passado.
“A Cor Mais Próxima do Cinza”, da banda paulistana Naimuculada, frequentou algumas listas de melhores do ano em 2025 por sua combinação de rock progressivo, MPB e letras surrealistas que exaltavam a vida cotidiana que inspira bandas de rock industrial e música eletrônica pesada.
O disco é puxado pelas músicas “Epítome” e “Luz/Sé” (quer coisa mais paulistana do que isso?). A banda prega que é possível encontrar ludismo nas longas caminhadas pelas regiões centrais e em algumas periferi9as. A violência ficou de lado, por enquanto, e o cinza chumbo foi amenizado por algumas letras sensíveis e “viajandonas”.
As canções punks antigas continuam sendo a cara de São Paulo em relação ao rock – São Paulo”, do 365, “Pânico em SP”, dos Inocentes, e Pobre Paulista”, do Ira!, foram as mais votadas em enquere realizada pelo Combate Rock em 2011. E ainda tem a obra de “Santa Rita de Sampa” Rita Lee, profundamente influenciada pela cidade, mas raramente foi tão protagonista em uma obra de rock. São Paulo é heroína e em um álbum denso, melancólico e quase claustrofóbico.
Se bandas de rap e hip hop como Racionais MCs e Pavilhão 9 se valeram do ambiente pesado e do clima tenso das periferias para traçar um painel complexa da vida na periferia, a banda Naimaculada tenta equilibrar as buscando a beleza nas cores mais próximas do cinza.
São Paulo ainda não tem um hino roqueiro com os quais o paulistano se identifique, especialmente depois que “Pobre Paulista, do Ira!, envelheceu muito mal e saiu do repertório da banda,
Quem sabe um simples passeio a pé ou de metrô entre o bairro da Luz e a Praça da Sé não sirva para capturar a essência de um novo hino roqueiro para São Paulo?