O guitarrista brasileiro André Christóvam costuma dizer que é preciso ter coragem para mergulhar fundo no blues e tocar blues no Brasil. Seus vários discípulos concordam, mas há alguns músicos mais intrépidos que vão mais fundo,
Amleto Barboni, de São Paulo, guitarrista amante do blues de raiz, do jazz e da música brasileira versátil, um dia quis resgatar blues de rua de Chicago, nos Estados Unidos, e gravou um audiovisual em 2012 com canções inspiradas na famosa Maxwll Street, nitidamente inspirado no guitarrista americano Robert Nighthawk, morto em 1967 e desconhecido por aqui. É preciso bastante coragem pata empreender e investir em tal projeto.
Rodando pelos palcos e disseminando música boa e inteligente, Barboni se tornou ao mesmo tempo um respeitado produtor musical e um pesquisador de ritmos, timbres e instrumentos. No estúdio, voltou a compor e ganhou a colaboração preciosa da cantora Tiara Magalhães, uma grata surpresa dentro do escopo da música brasileira.
Juntos no som e na vida – são casados -, criaram o projeto Sonoro Devaneio, que faz uma mistura de jazz e MPB sofisticado com letras com elaboração cuidadosa e reflexiva, ainda que bastante melancólicas. É uma música diferente, mas positiva e que aponta caminhos e soluções.
“A vida moderna não nos deixa respirar em muitas situações. Sonoro Devaneio é uma maneira de dizermos que precisávamos desacelerar e procurar outras alternativas”, firma Barbonia em conversa com o Combate Rock. “Faz cinco anos que eu e Tiara mudamos para uma casa na Serr da Cantareira em busca de uma outra qualidade de vida e isso impacou nosso process de criação.
A Srra da Cantareira é considerada hoje a maior floresta urbana do mundo e se espalha pelas cidades de São Paulo, Mairiporã, Caieiras e Franco da Rocha, na Grade São Paulo. É isolada, com poucas estradas vicinais e muita mata nativa, com a presença de nimais silvestres em grande quantidade, ainda que a devastação da mata seja grande e progressiva

O Sonoro Devaneio, com um conceito bem definido lançou um álbum autointitulado em 2022 e agora coloca nas plataformas de sreaming o single “O Verbo”, que é uma evolução relação ao que foi gravado quatro anos antes.
A beleza e riqueza dos arranjos não deixam dúvidas de que se trata de um trabalho diferenciado e superior ao que escutamos na atualidade na MPB, com uma letra simples, direta e serena. Barboni e Tiara têm uma mensagem relevante para transmitir.
A música é a primeira amostra do segundo trabalho do Snoro Devaneio, que está em processo d gravação e tem previsão para ser lançado no começo de 2027. “Será um disco mais denso, com letras na mesma linha, mas quem sabe não vem menos melancólico?”, brinca Tiara.
Canora de bons recursos, transita em uma área em que se destacaram no passado Nara Leão e Suzana Pinheiro, entre outras. Com interpretação precisa, domina o repertório do projeto com desenvoltura e acrescenta texturas 9sonoroas que vão além do jazz e da MPB sofisticada. Com alguma boa vontade e certo exagero, dá para pinçar influências d americana Stacey Kent e da brasileira Eliane Elias, divas do jazz nos Estados Unidos.
Amleto Barboni já trabalhou com Lenine, Fernando Anitelli (Teatro Mágico), Fafá de Belém, Blues Etílicos, André Christovam, entre muitos outros; o projeto constrói uma sonoridade que combina experimentação e autenticidade.
Seu álbum homônimo de estreia, lançado em julho de 2023, apresentou arranjos orquestrais e destacou a proposta do duo: criar uma experiência sonora multifacetada que celebra a diversidade da música brasileira.
“O Verbo” indica os rumos do próximo trabalho, mesclando jazz contemporâneo, fusion e influências da música mineira. A faixa conta com a participação especial do tecladista Felipe Viegas, que já trabalhou com Kurt Rosenwinkel, Hamilton de Holanda, Pedro Martins e Vanessa Moreno. Single “O Verbo” O mais recente single da dupla, “O Verbo”, continua expandindo seu universo sonoro.
A faixa combina jazz contemporâneo, estética indie e nuances rítmicas/harmônicas da música mineira. A faixa foi produzida em São Paulo no estúdio de Amleto Barboni usando gravadores e microfones de fita, instrumentos vintage, como uma bateria Rodgers da década de 60 e amplificadores da década de 70, trazendo uma sonoridade nostálgica, mas ao mesmo tempo moderna. A gravação conta com a participação de Felipe Viegas nos teclados e Humberto Ziegler na bateria
“Temos a ambição de mostrar que a arte continua relevante em tempos de audição ansiosa e perda de relevância do ato de ouvir e curtir música”, explica Barboni. “Pode parecer presunção ou até pretensão, mas a gente faz música para ser escutada com atenção, para pessoas que ainda têm o hábito de escutar álbuns e prestar a atenção nas letras e no concito. Acho que é possível separar, mesmo hoje, o que é arte e o que é entretenimento. Com essa distinção, estamos criando o segundo álbum do Sonoro Devaneio.”