É a mesma banda? A pergunta é frequente em relação a artistas que evoluem muito rápido ou trocam integrantes fundamentais. Deep Purple, Black Sabbath, Van Halen, Bad Company, Linkin Park, Judas Priest e Iron Maiden são alguns exemplos de grupos eu passaram por mudanças radicais.
Do outro lado, há as bandas que não mudam, mesmo com mudanças importantes na trajetória, como AC/DC e Motorhead, sempre na mesma toada e com o mesmo padrão sonoro. E há os caso de Rush e U2, que mantém ou mantiveram a mesma formação por 50 anos, mas que empreenderam mudanças transformadoras e vitais em suas sonoridades.
O ZZ Top se encaixa na última categoria, modernizando seu blues rock texano nos ano 80 a ponto de ficar irreconhecível. Legs” e “Gimme All Yiyr Loving”, sucessos oitentistas da banda, não podem ter sido gravados pelos mesmo rio que perpetrou clássicos setentistas como “La Grange”, “Jesus Just Left Chicao” e “Just Got Paid”.
Dez anos depois da criação, o trio parecia exausto e sem muita inspiração, Era um monstro nos Estados Unidos,, mas carecia de mais penetração no resto do mundo, a solução ffoi acrescentar elementos mais arrojados ao poderoso som da banda, por mais que houvesse certa descaracterização sonora.
A produção ficou mais saturadfa, colocando a guitarra quase sintetizada de Billy Gibbons ainda mais no centro das ações. Houve quem reclamasse do som “pasteurizado e plastificado”, quase artificial, mas o fato é que deu certo e o ZZ Top ganhou o mundo. A bateria de Frank Beard, que morreu em agosto, aos 77 anos, também foi afetada, ficando mais seca e com uma batida que, no começo da nova fase, ficou menos orgânica.
“Gimme All Yor Loving” é o principal exemplo da grande mudança, adquirindo uma sonoridade mais mecânica e reta, sem o mesmo groove da maravilhosa “La Grande”. A espontaneidade de discos como “Tres Hombres” e “Rio Grande Mud” deu lugar a um tecnicismo calculado, algo muito parecido com o caminho tomado pelo Rush na mesma época.
Os álbuns “Afterburner”, “Eliminator” e “Recycler” deram o tom do que seria som do ZZ Top a partir de então, sempre com uma produção saturada e cheia de elementos diferentes e inovadores de estúdio.
As mudanças ficaram muito ecvidentes também ao vivo, com as canções ficando “maiores”, em detrimento de uma sonoridade mais orgânica. Não ficou ruim, mas era diferente e patê do público sentiu falta do velho e bom groove/feeling que emanava daquela poderosa usina de energia.
A primeira fase é a minha preferida, onde o blues rock pulsante e nervoso dava o om do rock americano naqueles tempos emocionantes dos anos 70. ZZ Top se ornaria gigante, mas ali já estava no mesmo patamar do Kiss, Aerosmith, Van Halen e Ted Nugent como os maiores nomes do rock norte-americano.
Mais “puro” e “autêntico”, o ZZ Top era uma quebra de paradigmas em um cenário musical ainda fervilhante, mas caminhando para a uma acomodação que seria destroçada pelo movimento punk a partir de 1976. O trio transpirava autenticidade e realismo, e isso se perdeu, em parte, a parti de 1980.